Natura conclui venda da Avon na Rússia por 26,9 milhões de euros, focando em consolidação na América Latina

A Natura informou nesta quinta-feira (19) a conclusão da venda das operações da Avon na Rússia para o Grupo Arnest, em uma transação de aproximadamente 26,9 milhões de euros, o equivalente a cerca de R$ 166,2 milhões. Esta operação marca um ponto significativo na reestruturação da companhia.

O movimento faz parte de um plano maior de simplificação corporativa e reforça o compromisso da Natura em concentrar seus esforços e investimentos no crescimento de seus negócios na América Latina, região onde a empresa detém forte participação de mercado e reconhece grande potencial.

A venda da operação russa encerra a estratégia de expansão global iniciada em 2012, que visava transformar a Natura em uma gigante mundial do setor de beleza. Conforme divulgado pela empresa, a iniciativa também visa otimizar a estrutura do grupo e direcionar recursos para a integração das marcas Natura e Avon na América Latina.

Desinvestimentos Estratégicos para Foco em Rentabilidade

Esta não é a primeira venda realizada pela Natura no âmbito de sua reestruturação. Em setembro do ano passado, a empresa já havia anunciado a venda das operações da Avon em seis países da América Central, incluindo Guatemala, Nicarágua, Panamá, Honduras, El Salvador e República Dominicana, por US$ 22 milhões. O comprador foi o Grupo PDC.

Esses desinvestimentos refletem uma mudança estratégica da Natura&Co, que busca maior rentabilidade e simplificação operacional. A venda da Aesop por US$ 2,5 bilhões em 2023 e da The Body Shop no mesmo ano, por um valor inferior ao de aquisição, já sinalizavam essa nova direção.

O Fim de um Ciclo de Expansão Global

A ambição da Natura em se tornar uma líder global começou em 2012 com a aquisição da marca australiana Aesop, seguida pela compra da britânica The Body Shop e, em 2019, pela fusão com a americana Avon. A criação da holding Natura&Co reuniu quatro marcas em mais de 100 países, com faturamento anual superior a US$ 10 bilhões.

No entanto, a expansão trouxe desafios, como o aumento do endividamento e a complexidade na integração de diferentes culturas e modelos de negócio. A pandemia de Covid-19 agravou o cenário, impactando o consumo e dificultando a geração de sinergias.

Um Novo Capítulo: Foco na América Latina

Com a saída das operações internacionais, a Natura busca reduzir custos e tornar sua trajetória mais previsível para os investidores. A decisão de concentrar esforços na América Latina, onde suas marcas possuem maior participação e vantagem competitiva, sinaliza o início de uma nova fase focada em fortalecer sua posição regional.

A empresa ainda segue avaliando alternativas estratégicas para os ativos restantes da Avon Internacional, que englobam operações fora da América Latina. A conclusão do licenciamento da marca na região está prevista para outubro de 2025, enquanto o fornecimento de produtos para a Avon Card continua.

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