Dono do Banco Master Acusa BC e Concorrentes de Conspiração para Liquidar sua Instituição

Daniel Vorcaro, o fundador do Banco Master, apresentou uma acusação bombástica à Polícia Federal, afirmando que a liquidação de sua instituição, ocorrida em novembro de 2025, não foi um colapso natural.

Segundo Vorcaro, houve uma “ofensiva articulada” envolvendo o Banco Central e outros bancos rivais, com o objetivo claro de retirá-lo do mercado. Ele alega que o crescimento e o modelo de negócios do Banco Master incomodaram grandes players do sistema financeiro e uma parte do BC.

Essa suposta ação conjunta teria visado preservar a concentração do sistema financeiro e eliminar um “competidor incômodo”. Essas declarações foram feitas em depoimento à Polícia Federal, conforme informações divulgadas. Vorcaro detalha que mudanças em regras e pressões foram usadas para atingir o Banco Master.

Mudanças nas Regras e o Papel do FGC na Disputa

Uma das principais alegações de Daniel Vorcaro é que o Banco Central teria alterado as regras do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) de forma direcionada. Ele sustenta que essas mudanças foram feitas para “estrangular” a capacidade do Master de captar recursos, que era fundamental para sua operação.

O FGC funciona como um seguro para os depósitos dos clientes em caso de quebra de um banco. Vorcaro vê essa manobra como parte do plano para prejudicar o Master. Ele alega que a liquidação do banco foi um resultado direto dessas ações, e não de problemas internos.

Visão de Analistas e do Banco Central Contrapõe Alegações

Por outro lado, especialistas de mercado e o próprio Banco Central apresentam uma visão distinta sobre o caso. Eles consideram a narrativa de Vorcaro como uma estratégia de defesa comum em situações de liquidação.

A análise predominante entre os especialistas é que o Banco Master possuía um modelo de negócios de alto risco. Esse modelo era fortemente dependente de recursos do FGC e oferecia produtos com rentabilidade acima da média do mercado.

Para eles, as fragilidades internas do banco foram a causa principal de sua liquidação. As mudanças nas regras do FGC, segundo essa perspectiva, foram implementadas para proteger todo o sistema financeiro de riscos sistêmicos, e não para atingir especificamente o Banco Master.

Venda Forçada de Ativos e a Prisão do Fundador

Vorcaro também alega ter sido forçado pelo BC a vender ativos valiosos do banco por preços abaixo do mercado (com “deságio”) durante o processo de recuperação. Ele afirma que essas vendas beneficiaram diretamente concorrentes, como o BRB, enfraquecendo ainda mais o Master.

Analistas, contudo, apontam que esse tipo de venda é uma prática comum quando um banco necessita de liquidez rapidamente. Eles ressaltam que tais transações refletem a alta percepção de risco do mercado e não uma ação coordenada para prejudicar a instituição.

Sobre sua prisão domiciliar, Vorcaro declarou à PF que sua detenção ocorreu em um momento crucial, quando estava prestes a fechar acordos que poderiam salvar o banco. Ele acredita que sua prisão e a liquidação foram sincronizadas para impedi-lo de encontrar uma solução de mercado viável.

No entanto, especialistas lembram que o Banco Central já emitia alertas sobre os riscos associados ao Banco Master desde 2024. Essa cronologia sugere que a crise enfrentada pela instituição tinha raízes mais antigas e não foi resolvida a tempo, independentemente de alegações de conspiração externa.

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