Novas sanções americanas visam contas de Ali Khamenei e membros da Guarda Revolucionária

O governo dos Estados Unidos, sob a administração de Donald Trump, anunciou um novo pacote de sanções nesta sexta-feira (10), direcionado às finanças do líder supremo do Irã, Ali Khamenei, e de outros integrantes de alto escalão do regime. As medidas, detalhadas pelo Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (Ofac), parte do Departamento do Tesouro, buscam isolar financeiramente figuras-chave do governo iraniano.

O foco das novas punições recai sobre um empresário iraniano, identificado como um importante gestor de recursos para a autoridade máxima do país persa. Além dele, diversas casas de câmbio e empresas de fachada foram incluídas na lista de sanções, sob a alegação de facilitarem transações financeiras para bancos iranianos que já sofrem restrições.

Segundo o comunicado oficial divulgado pelo Tesouro americano, as sanções aplicadas visam especificamente o empresário Ali Ansari. Washington o acusa de administrar uma rede internacional de ativos com o objetivo de beneficiar Khamenei e outros membros proeminentes da Guarda Revolucionária Islâmica. Essa ação se dá em um momento delicado, após declarações de Trump sobre negociações de paz, mas com o cessar-fogo já declarado como encerrado.

Ali Ansari: O gestor financeiro sob mira americana

O Departamento do Tesouro detalhou que Ali Ansari é acusado de ter **institucionalizado o desfalque em larga escala dentro do regime iraniano**. A acusação aponta que ele teria desviado recursos públicos para um extenso portfólio de imóveis e participações empresariais no exterior, visando o enriquecimento próprio e das elites do país. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, declarou que o líder supremo iraniano “permanece escondido e isolado enquanto seu regime desmorona”, reforçando a pressão financeira.

De acordo com informações do governo dos EUA, Ansari seria o proprietário e diretor do **Banco Ayandeh**. Esta instituição é apontada por Washington como responsável pelo desvio de bilhões de dólares através de empréstimos concedidos a empresas ligadas ao próprio empresário. A situação levou as autoridades iranianas a ordenarem a dissolução do banco em outubro de 2025, segundo o Tesouro.

Empresas de fachada e o bloqueio financeiro

A estratégia americana de sanções também atingiu a **CDM Trading Limited**, sediada em Hong Kong, e a **Naba Alzaki Raw Materials Trading LLC**, com sede nos Emirados Árabes Unidos. Ambas foram sancionadas por, supostamente, atuarem como empresas de fachada. O objetivo dessas entidades seria facilitar transações financeiras ligadas às casas de câmbio também sancionadas, ampliando o cerco sobre as movimentações financeiras do Irã.

Estas novas medidas restritivas surgem em um contexto de tensões diplomáticas e militares. Os Estados Unidos e o Irã haviam assinado um memorando de entendimento em 17 de junho, visando encerrar conflitos, desbloquear o Estreito de Ormuz e iniciar negociações sobre o programa nuclear iraniano. Contudo, relatos indicam a retomada de ataques no Oriente Médio nos últimos dias, com acusações mútuas de violações da trégua, o que Teerã alega ter anulado partes essenciais do acordo firmado.

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