Auditor da Receita Federal é dispensado de cargo de confiança em meio a investigação sobre vazamento de dados do STF
O auditor fiscal Ricardo Mansano de Moraes foi dispensado de um cargo de confiança na Delegacia da Receita Federal em Presidente Prudente, no interior de São Paulo. A decisão foi publicada na última quinta-feira (19) no Diário Oficial da União. Embora o ato oficial não detalhe o motivo da dispensa, a exoneração ocorre enquanto Ricardo Mansano de Moraes é investigado em uma operação que apura o suposto vazamento de dados sigilosos de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
A defesa do auditor fiscal já se manifestou, afirmando que os fatos serão devidamente esclarecidos e reiterando a idoneidade de Ricardo Mansano de Moraes. A investigação é conduzida pela Polícia Federal e autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, a pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR).
Os fatos que levaram à investigação vieram à tona após o STF solicitar, em janeiro deste ano, uma auditoria interna na Receita Federal para identificar possíveis irregularidades no acesso a dados de seus ministros. A operação policial cumpriu mandados de busca e apreensão na residência do então auditor em São José do Rio Preto (SP), além de outros endereços no Rio de Janeiro, Salvador e Guarujá. Celulares dos servidores investigados foram apreendidos, e eles já prestaram depoimento. Conforme informação divulgada pelo g1, os alvos da operação incluem outros servidores do Serpro e do Seguro Social cedidos à Receita Federal.
Operação da Polícia Federal apura acesso indevido a dados sigilosos
A investigação da Polícia Federal, autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, busca apurar se houve quebra ilegal de sigilo de informações de ministros do STF e seus familiares nos últimos três anos. Ainda não há detalhes sobre quais informações específicas teriam sido acessadas ou a extensão do eventual vazamento. A auditoria da Receita Federal, que abrange dezenas de sistemas, está em andamento e já informou preliminarmente ao STF sobre desvios identificados.
STF confirma “múltiplos acessos ilegais” a dados de ministros
Em nota oficial divulgada na última terça-feira (17), o STF confirmou que a investigação da PGR aponta para “múltiplos acessos ilegais” a dados de ministros da Corte e de seus parentes. A Receita Federal, por sua vez, informou que desde 2023 intensificou os controles de acesso a dados, incluindo a restrição de perfis e o reforço nos alertas de segurança. Nesse período, a Receita concluiu sete processos disciplinares, resultando em três demissões e outras sanções aplicadas.
Defesa de Ricardo Mansano de Moraes reitera inocência
A defesa de Ricardo Mansano de Moraes afirmou que os fatos relacionados à investigação serão devidamente esclarecidos. A equipe jurídica reiterou a idoneidade do auditor fiscal e se comprometeu a colaborar com as autoridades para a elucidação completa do caso. A dispensa do cargo de confiança na Receita Federal em Presidente Prudente ocorre em um momento delicado, enquanto as apurações sobre o suposto vazamento de dados sensíveis do STF avançam.
Investigação abrange acesso a dados de ministros e familiares nos últimos três anos
A Procuradoria-Geral da República (PGR) e a Polícia Federal trabalham para determinar a extensão e a natureza dos acessos indevidos. A auditoria solicitada pelo STF visa identificar falhas nos sistemas e possíveis responsabilidades. Os investigadores apuram se houve acesso não autorizado a informações de ministros e seus familiares, o que configuraria quebra de sigilo. A colaboração da Receita Federal e a análise dos dados apreendidos são cruciais para o andamento da investigação.