Dólar em queda livre e Ibovespa em alta histórica: entenda os fatores que agitaram os mercados nesta sexta-feira

O mercado financeiro brasileiro viveu um dia de fortes emoções nesta sexta-feira (20). O dólar comercial fechou em R$ 5,1758, registrando uma queda de 0,98% e atingindo o menor patamar desde maio de 2024. Paralelamente, o Ibovespa, principal índice da bolsa de valores brasileira, disparou e superou os 190 mil pontos, caminhando para um novo recorde de fechamento.

A principal notícia que impulsionou os mercados globais veio dos Estados Unidos, com a decisão da Suprema Corte derrubando as tarifas de importação impostas pelo presidente Donald Trump. Essa medida, vista como um alívio para o comércio internacional, somada a dados econômicos americanos abaixo do esperado e a uma melhora no cenário de desemprego no Brasil, criou um ambiente de otimismo.

Apesar do otimismo, as tensões no Oriente Médio, especialmente entre Estados Unidos e Irã, continuam no radar, com o preço do petróleo em evidência. No entanto, os ventos favoráveis da decisão judicial americana e os indicadores domésticos prevaleceram, pintando um quadro positivo para os ativos brasileiros no curto prazo. Conforme informações divulgadas pelo Departamento de Comércio dos EUA e pelo IBGE no Brasil, esses eventos moldaram o comportamento dos investidores.

Suprema Corte dos EUA anula tarifas de Trump e alivia tensões comerciais

Um dos principais catalisadores do dia foi a decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos, que considerou ilegal o aumento de tarifas de importação imposto pelo presidente Donald Trump. Por 6 votos a 3, a corte determinou que o presidente extrapolou sua autoridade ao implementar essas medidas, citando a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA) e a necessidade de autorização clara do Congresso.

Em resposta, Donald Trump anunciou a intenção de impor uma nova tarifa global de 10%, utilizando a Seção 122 da legislação comercial americana, que permite tarifas temporárias. Ele também mencionou o uso da Seção 301 para investigar práticas comerciais desleais. Apesar das novas medidas, a anulação das tarifas anteriores trouxe um alívio imediato aos mercados.

A decisão da Suprema Corte impacta principalmente as chamadas tarifas recíprocas, mas outras tarifas já existentes, como as sobre aço e alumínio, permanecem válidas. A declaração de Trump, embora firme, não reverteu o sentimento positivo gerado pela decisão judicial, que foi amplamente bem recebida por investidores globais.

Economia americana desacelera e inflação segue em foco, pressionando o Fed

No cenário econômico dos Estados Unidos, os dados do quarto trimestre de 2025 apresentaram um quadro de desaceleração. O Produto Interno Bruto (PIB) avançou apenas 1,4% em base anualizada, bem abaixo da projeção de mercado de 3%. No trimestre anterior, o crescimento havia sido de 4,4%, indicando uma perda de fôlego na atividade econômica.

O Departamento de Comércio dos EUA também divulgou o índice de preços de gastos com consumo (PCE), uma métrica importante para o Federal Reserve (Fed). O núcleo do PCE subiu 0,4% em dezembro, e em 12 meses, a alta foi de 2,9%. Esses números reforçam a avaliação de que o Fed pode adiar os cortes nas taxas de juros, possivelmente para depois de junho, diante de uma inflação que ainda não cedeu completamente.

A fraqueza econômica, combinada com a inflação persistente, cria um dilema para o banco central americano. A paralisação do governo também contribuiu para a desaceleração, com estimativas apontando uma redução de até 1,5 ponto percentual no crescimento do PIB no último trimestre. A economia americana mostra um desempenho desigual, com famílias de alta renda mais protegidas da inflação.

Desemprego no Brasil cai e contribui para o otimismo do mercado interno

No Brasil, a divulgação da taxa de desemprego pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) trouxe notícias positivas. O desemprego recuou para 5,1% no quarto trimestre de 2025, uma queda significativa em relação aos 5,6% do trimestre anterior e aos 6,2% de um ano antes. Segundo o IBGE, o indicador caiu em seis estados e permaneceu estável nos demais.

No acumulado de 2025, a taxa de desemprego atingiu 5,6%, o menor patamar desde 2012, com 20 estados registrando suas menores taxas históricas. Essa melhora no mercado de trabalho brasileiro contribuiu para o otimismo dos investidores e para a valorização do real frente ao dólar.

Apesar dos avanços, as maiores taxas de desemprego ainda foram registradas em Pernambuco (8,8%) e Amapá (8,4%), enquanto Santa Catarina apresentou a menor taxa (2,2%). A queda generalizada, no entanto, reforça a percepção de recuperação da economia brasileira, o que favorece a bolsa de valores.

Mercados globais reagem com alta, mas tensões no Oriente Médio geram cautela

Os mercados internacionais reagiram positivamente à decisão da Suprema Corte dos EUA. Em Wall Street, os principais índices operavam em alta, com o Dow Jones subindo 0,33%, o S&P 500 avançando 0,72% e o Nasdaq Composite registrando alta de 0,92% no final da tarde. Na Europa, o índice pan-europeu STOXX 600 avançou 0,84%, impulsionado por bolsas como a francesa CAC-40 (+1,39%) e a alemã DAX (+0,87%).

As bolsas asiáticas, contudo, tiveram um dia misto, com o Nikkei japonês caindo 1,1%. A cautela na Ásia foi influenciada pelas tensões crescentes entre Estados Unidos e Irã, que aumentaram a preocupação com a estabilidade do fornecimento de petróleo e rotas de comércio, como o Estreito de Ormuz.

O preço do petróleo permaneceu no centro das atenções globais, com investidores monitorando de perto o desenrolar das tensões geopolíticas. Qualquer escalada do conflito pode impactar diretamente os preços da commodity e gerar volatilidade nos mercados de risco, como as bolsas de valores e o mercado de câmbio.

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