Prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, reage com veemência a declarações do CEO global da Enel sobre apagões na capital paulista, atribuindo falhas à gestão da empresa.
A tensão entre a Prefeitura de São Paulo e a concessionária de energia Enel atingiu um novo patamar. O prefeito Ricardo Nunes (MDB) criticou duramente o CEO global da empresa, Flavio Cattaneo, que atribuiu os recentes apagões na região metropolitana à arborização urbana, afirmando que “nem Jesus Cristo” conseguiria evitar as interrupções em tempestades.
Em resposta direta, Nunes classificou a declaração do executivo como “muita cara de pau” e “um deboche”. O prefeito enfatizou que “o nível de incompetência é tão grande que, somado à capacidade de mentiras, chega a assustar”. Segundo ele, “mais de 80% dos locais que ficaram sem energia não tiveram queda de árvores”, contestando a principal justificativa apresentada pela Enel.
As declarações do prefeito ocorrem em um momento de forte escrutínio público sobre os serviços da Enel em São Paulo. A empresa tem enfrentado críticas recorrentes após episódios de falta de energia que deixaram milhões de consumidores sem luz, especialmente após eventos climáticos extremos. A troca de acusações levanta questionamentos sobre a capacidade da concessionária em gerenciar a rede elétrica na metrópole. Conforme informação divulgada pela imprensa, a Enel, por sua vez, afirma que “mais de 90% dos casos de falta de luz foram decorrentes de causas ambientais, como a queda de árvores e galhos ou o contato da vegetação com a rede elétrica, devido ao impacto dos fortes ventos”.
Tensão aumenta com discussão sobre caducidade do contrato da Enel
A polêmica envolvendo o CEO da Enel e o prefeito de São Paulo se insere em um contexto mais amplo de insatisfação com a prestação de serviços da concessionária. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e o governo federal discutem a **possível caducidade do contrato da Enel em São Paulo**. O processo, que começou a ser analisado em novembro do ano passado, foi suspenso e agora a Aneel avalia ampliar o escopo para incluir o apagão de dezembro de 2023, que afetou 4,4 milhões de consumidores.
Enel defende sua atuação e aponta melhorias
A Enel tem buscado se defender das críticas, apresentando dados que, segundo a empresa, indicam uma melhora de 50% na qualidade do serviço prestado em São Paulo no último ano. O CEO global, Flavio Cattaneo, argumentou que a rede elétrica aérea da capital paulista é frequentemente atingida por quedas de árvores durante tempestades, o que dificulta o restabelecimento do fornecimento. Ele mencionou que, em muitos pontos, os cabos de energia estariam “dentro das árvores”, tornando as interrupções “inevitáveis”.
Projeto piloto mapeia árvores e aponta riscos controlados
Em uma tentativa de demonstrar proatividade, a Enel S. Paulo implementou um projeto piloto que mapeou 770 mil árvores na Grande São Paulo em colaboração com as prefeituras. O levantamento indicou que, das 145 árvores que caíram durante o apagão de dezembro de 2023, apenas 9 apresentavam risco. A perícia contratada pela Enel, iniciada em outubro de 2024, apontou a força do vento como principal causa das quedas, embora problemas secundários, como a presença de fungos, também tenham contribuído.
Investimento bilionário da Enel focado em renováveis, com ressalvas para o Brasil
Paralelamente às controvérsias em São Paulo, a Enel anunciou um plano de investimentos globais de 53 bilhões de euros entre 2026 e 2028, com foco em energias renováveis. Do montante total, cerca de 6,2 bilhões de euros serão destinados às operações na América Latina, incluindo o Brasil. No entanto, a empresa ressaltou que esses investimentos estão “sujeitos à existência de um ambiente regulatório previsível e a uma visão clara do futuro”, sinalizando preocupação com o cenário regulatório no país.