Dono do Master se reuniu 17 vezes com chefes do Banco Central em 2025, revelam dados oficiais

Daniel Vorcaro, o banqueiro por trás do liquidado Banco Master, manteve uma intensa agenda de contatos com o Banco Central em 2025. Registros obtidos via Lei de Acesso à Informação (LAI) apontam que Vorcaro esteve nas dependências do órgão regulador em Brasília e São Paulo por 17 vezes. As reuniões ocorreram com o presidente da autarquia, Gabriel Galípolo, e diretores de áreas cruciais para os negócios do banco.

Os encontros foram concentrados em um período crítico para o Banco Master, marcado por tentativas de recuperação de liquidez, negociações para venda a outras instituições financeiras e, por fim, o processo de liquidação do banco. As informações divulgadas nesta quinta-feira (5) indicam que Vorcaro passou mais de 34 horas em reuniões presenciais, sem contabilizar videoconferências.

Em depoimento à Polícia Federal, Daniel Vorcaro alegou que o banco foi fiscalizado, mas que nunca foi alertado sobre o risco iminente de liquidação, ponto central de sua defesa. Por outro lado, o diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino, afirmou que sua área identificou indícios de fraudes e encaminhou o material rapidamente às autoridades competentes. Conforme apuração do Estadão, as informações sobre as reuniões foram obtidas através da Lei de Acesso à Informação.

Agenda intensa em momentos decisivos

Os registros oficiais detalham que as visitas de Daniel Vorcaro ocorreram em locais estratégicos do Banco Central, como o gabinete da presidência, a Diretoria de Fiscalização e o Departamento de Supervisão Bancária. Cinco dos dezessete encontros foram diretamente com o presidente Gabriel Galípolo.

Um desses encontros com Galípolo ocorreu em 11 de abril, com duração superior a três horas. No mesmo dia, o Banco de Brasília (BRB) finalizou uma auditoria interna e excluiu R$ 19 bilhões em ativos que estavam em negociação com o Master. Posteriormente, em 8 de maio, uma nova reunião entre Galípolo e Vorcaro coincidiu com a decisão do Banco Central de dispensar temporariamente o recolhimento compulsório do Master.

Recuperação de liquidez e negociações de venda

Nesse período de intensas reuniões, o Banco Master já recebia aportes do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para cobrir suas dívidas. O Banco Central demonstrava preocupação com a exposição do BRB a essa situação, temendo que a crise pudesse se alastrar. Uma visita de mais de oito horas de Vorcaro à autarquia, em 22 de julho, foi autorizada pela Diretoria de Fiscalização.

Apenas dois dias após essa longa visita, o Banco Central autorizou a venda do Banco Voiter, que integrava o conglomerado do Master, para Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro. Essa operação visava reduzir o custo para o FGC, com Lima assumindo passivos do Master. Augusto Lima foi posteriormente preso na Operação Compliance Zero.

Operações com carteiras de crédito e o desfecho da liquidação

Em fevereiro de 2025, Vorcaro esteve três vezes no Banco Central durante o prazo estabelecido para que o Master melhorasse sua liquidez. Naquele momento, o banco estaria negociando carteiras de crédito, supostamente fraudulentas, com o BRB por R$ 12,2 bilhões. Em 17 de março, o Banco Central notificou o Master sobre a insuficiência documental dessas carteiras.

Após a frustrada negociação com o BRB, Vorcaro retornou ao Banco Central em setembro. Um último encontro virtual aconteceu em novembro, no mesmo dia em que o banqueiro foi preso ao tentar deixar o país. A defesa de Vorcaro alegou que a viagem seria para a assinatura de um contrato e anúncio de uma operação com investidores estrangeiros, negando a tentativa de fuga. Naquele mesmo dia, o Banco Central decretou a liquidação do Banco Master, citando as operações supostamente fraudulentas com o BRB.

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