Os Afro-Sambas de Baden e Vinicius completam 60 anos em 2026, celebrados por Marcos Sacramento e Zé Paulo Becker com novo show e disco.
Lançado originalmente em 1966, o icônico álbum ‘Os Afro-Sambas de Baden e Vinicius’, da gravadora Forma, continua a ressoar na música brasileira. A obra, que marcou um ponto alto na parceria entre o violonista Baden Powell e o poeta Vinicius de Moraes, é agora revisitada pelo cantor Marcos Sacramento e pelo violonista Zé Paulo Becker.
A dupla, que já havia colaborado no álbum ‘Todo Mundo Quer Amar’ de 2012, retorna aos palcos e estúdios para homenagear os 60 anos deste disco fundamental. O projeto, com lançamento previsto para o primeiro semestre de 2026, promete ampliar o repertório dos afro-sambas, incluindo faixas inéditas do álbum original e outras composições marcantes da parceria, como ‘Berimbau’ e ‘Consolação’.
Conforme informação divulgada sobre o projeto, o novo show tem estreia marcada para 5 de março no Rio de Janeiro. O espetáculo, além de revisitar as canções de ‘Os Afro-Sambas’, também apresentará outros clássicos do gênero, expandindo a celebração musical. O desdobramento fonográfico virá com um álbum gravado em estúdio, com participações especiais de renomados artistas da MPB.
Um marco na discografia brasileira
‘Os Afro-Sambas de Baden e Vinicius’ é considerado um título antológico na música brasileira. O LP consolidou o gênero musical que lhe dá nome, apresentando um repertório majoritariamente inédito. As composições, criadas entre 1962 e 1965, uniram a genialidade musical de Baden Powell com as letras poéticas de Vinicius de Moraes.
Baden Powell, violonista de grande importância, e Vinicius de Moraes, poeta carioca conhecido por sua escrita que mesclava leveza e drama, firmaram uma parceria que se tornou essencial para a música brasileira. A influência da Bossa Nova, aliada à exploração de ritmos e temas afro-brasileiros, deu origem a canções que se tornaram standards.
A sonoridade dos terreiros e a poesia
O álbum original de 1966 reuniu oito afro-sambas, incluindo os sucessos ‘Canto de Ossanha’, imortalizado na voz de Elis Regina, e ‘Canto de Iemanjá’, com a participação emblemática de Dulce Nunes. A direção musical e os arranjos foram assinados pelo maestro César Guerra-Peixe, que incorporou instrumentos de percussão comuns em terreiros de Candomblé, como agogô, afoxé e atabaque.
A inspiração nos ritmos e harmonias das religiões de matriz africana foi o cerne da criação dos afro-sambas. A arquitetura sonora do disco também contou com sopros e, claro, o violão de Baden Powell, elementos que enriqueceram a experiência auditiva.
Produção e Legado Ancestral
A produção do álbum foi orquestrada por Roberto Quartin, com a colaboração de Wadi Gebara, sócio de Quartin na gravadora Forma. A direção artística do disco, gravado em janeiro de 1966 no Rio de Janeiro, contou com as vozes de Vinicius de Moraes, do Quarteto em Cy e de um coro.
‘Os Afro-Sambas’ evidenciou a profunda importância da matriz ancestral africana na música brasileira, seguindo os passos de pioneiros como Pixinguinha e Moacir Santos. O legado deste álbum, que celebra a negritude do Brasil no toque do violão, continua a ser reavivado, provando sua força e relevância seis décadas após seu lançamento.
A iniciativa de Marcos Sacramento e Zé Paulo Becker em 2026 demonstra que a obra-prima de Baden Powell e Vinicius de Moraes segue viva, inspirando novas gerações e reafirmando seu lugar de destaque no patrimônio musical brasileiro.