Brasil e EUA se abstêm em votação crucial da ONU sobre paz duradoura na Ucrânia, gerando críticas de senadores brasileiros
Nações se abstiveram em resolução que pede cessar-fogo e reafirma soberania ucraniana. A decisão, que não é juridicamente vinculante, mas possui peso político, foi criticada por parlamentares brasileiros que defendem uma posição mais clara do país em apoio à Ucrânia.
A resolução, apresentada pela Ucrânia e apoiada por mais de 45 países, foi aprovada por 107 votos a favor, 12 contra e 51 abstenções. O texto solicita um cessar-fogo imediato, completo e incondicional, além da troca de prisioneiros e o retorno de civis, incluindo crianças, deportados ou transferidos à força para a Rússia.
A votação ocorreu em uma sessão especial de emergência da Assembleia Geral da ONU, convocada devido ao bloqueio no Conselho de Segurança, onde a Rússia possui poder de veto. A Rússia votou contra a resolução. O debate marcou o início do quarto ano da guerra e abordou seu impacto humanitário e econômico, com custos de reconstrução estimados em US$ 588 bilhões.
Senadores brasileiros criticam abstenção do Brasil na ONU
A abstenção do Brasil na votação da Assembleia Geral da ONU sobre uma paz duradoura na Ucrânia foi duramente criticada por senadores brasileiros. Durante uma sessão da Frente Parlamentar Brasil – Ucrânia, parlamentares expressaram decepção e vergonha com a decisão da diplomacia brasileira.
A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) declarou: “Que vergonha para o meu país. Mas eu quero deixar claro para os senhores embaixadores que aqui estão e para a Ucrânia que isso aqui não reflete, não reflete o desejo e a manifestação da sociedade brasileira. O Brasil ama a Ucrânia.” Ela também cobrou o governo por ignorar esforços internacionais para resgatar crianças ucranianas sequestradas pela Rússia.
O senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS) também manifestou seu descontentamento: “Sinto vergonha da posição que o nosso governo, não o Estado brasileiro, mas o atual representante do Estado brasileiro, tomou na reunião da ONU de se abster.” Ele ressaltou que o Brasil deveria ter tomado um lado em defesa da verdade, liberdade e justiça para o povo ucraniano.
Ucrânia e comunidade ucraniana no Brasil esperam posição mais firme
Embaixadores de diversos países, como Ucrânia, Polônia, Áustria, Eslováquia, Noruega, Holanda e República Tcheca, estiveram presentes na sessão do Senado. A comunidade ucraniana no Brasil também demonstrou insatisfação com a postura brasileira.
Vitório Sorotiuk, vice-presidente do Congresso Mundial de Ucranianos no Brasil, cobrou que o Executivo receba uma comissão da comunidade. Ele relembrou uma promessa do presidente Lula de visitar Kyiv caso viajasse a Moscou, uma promessa que, segundo ele, não foi cumprida, evidenciando a necessidade de um diálogo mais próximo.
Repercussão internacional e o futuro da paz na Ucrânia
A resolução aprovada na ONU, embora não vinculante, carrega um forte significado político. Ela reafirma o compromisso da Assembleia Geral com a soberania, independência, unidade e integridade territorial da Ucrânia, um ponto crucial para a nação invadida.
O conflito, que entrou em seu quarto ano, tem gerado um custo humano e econômico devastador. A reconstrução da Ucrânia é estimada em cerca de US$ 588 bilhões para a próxima década, um valor que representa aproximadamente três vezes o Produto Interno Bruto (PIB) do país no último ano. A abstenção de países como Brasil e EUA levanta questões sobre a eficácia dos esforços diplomáticos para alcançar uma paz duradoura.
Senadores defendem posição clara do Brasil em foros internacionais
Senadores como Flávio Arns (PSB-PR) e Sérgio Moro (União-PR) também se manifestaram contra a abstenção. Arns, que presidia a sessão, apoiou a manifestação de Mourão, afirmando que a abstenção não reflete a posição do povo ou do Congresso Nacional, que são favoráveis ao fim da invasão russa.
Sérgio Moro declarou: “Manifestei meu repúdio à guerra de invasão da Ucrânia pela Rússia. São quatro anos de injustiça e sofrimento. O Brasil deveria adotar uma posição clara a favor de uma paz justa para a Ucrânia nos foros internacionais.” A declaração reforça o apelo por uma postura mais assertiva do Brasil em questões de paz e justiça internacional.