Trump eleva o tom contra o Irã, defende hegemonia americana e protagoniza embate sobre imigração em discurso histórico no Congresso

Em um pronunciamento que quebrou recordes de duração, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, dirigiu-se ao Congresso nesta terça-feira (24) para seu tradicional discurso do “Estado da União”. Com quase duas horas de duração, a fala de Trump foi marcada por fortes declarações sobre política externa, com ameaças direcionadas ao Irã, reafirmação do domínio americano no hemisfério ocidental e um acirrado debate com democratas sobre a política de imigração.

O discurso ocorre em um momento crucial para Trump, que busca influenciar as eleições de meio de mandato em novembro, onde parte do Legislativo será renovada. Aliados temem que a queda na aprovação do presidente possa impactar os resultados, com pesquisas indicando que os republicanos podem perder o controle de uma ou ambas as Casas do Congresso.

A política externa foi um dos eixos centrais do pronunciamento. Trump acusou o Irã de buscar o desenvolvimento de armas nucleares e reiterou a determinação americana em impedir tal avanço, embora tenha expressado preferência pela via diplomática. A fala foi divulgada pelo g1.

Ameaças ao Irã e a “Paz pela Força”

Donald Trump direcionou um recado contundente ao Irã, acusando o regime de tentar desenvolver mísseis com capacidade de atingir os Estados Unidos e de ser o “maior patrocinador do terrorismo no mundo”. O presidente afirmou que, apesar de preferir a diplomacia, jamais permitirá que o país obtenha uma arma nuclear.

“Minha preferência é resolver esse problema por meio da diplomacia, mas uma coisa é certa: jamais permitirei que o maior patrocinador do terrorismo no mundo tenha uma arma nuclear”, declarou Trump. Ele ressaltou a força militar dos EUA, afirmando que a nação possui “as Forças Armadas mais poderosas da Terra”, e que essa capacidade garante a “paz por meio da força”.

O discurso relembrou ataques americanos ao Irã em junho de 2025, que, segundo Trump, destruíram um suposto programa nuclear iraniano. Ele acusou o país de ter retomado suas ambições nucleares, apesar de avisos prévios. Em resposta, o Irã classificou as acusações como “grandes mentiras” e uma “campanha de desinformação” por parte do governo Trump.

Domínio nas Américas e a Captura de Maduro

Trump celebrou a captura do ex-ditador venezuelano Nicolás Maduro como uma “vitória colossal” para a segurança dos EUA e um “novo começo para a população da Venezuela”. Ele mencionou estar trabalhando com a presidente interina, Delcy Rodríguez, para promover ganhos econômicos mútuos e elogiou a soltura de prisioneiros políticos.

O presidente reafirmou o objetivo de restaurar o “domínio dos EUA no hemisfério ocidental”, visando garantir a segurança e os interesses norte-americanos, além de combater violência, drogas, terrorismo e interferência externa. Ele também citou o encerramento de oito guerras, embora essa afirmação seja contestada por especialistas, e comemorou o cessar-fogo na Faixa de Gaza.

Imigração: Críticas, Embates e Propostas de Endurecimento

A imigração foi um dos temas mais polêmicos do discurso, com Trump atacando imigrantes em situação irregular e associando a imigração “sem limites” à importação de corrupção e criminalidade. Ele citou o caso da comunidade somali em Minnesota, acusando autoridades e imigrantes de envolvimento em fraudes e crimes.

Em um momento de tensão, Trump pediu que os presentes se levantassem caso defendessem que o governo priorizasse cidadãos americanos em detrimento de imigrantes ilegais. Diante da oposição democrata em se levantar, o presidente os exortou a “se envergonharem”. Houve um breve bate-boca, com a deputada democrata Ilhan Omar, de origem somali, gritando que Trump era um mentiroso.

O presidente relatou crimes cometidos por imigrantes irregulares para justificar a necessidade de medidas mais rígidas, como a “Lei Dalilah”, que proibiria estados de conceder carteiras de motorista a imigrantes ilegais. Ele também pediu a aprovação de leis que exijam documento de identidade nas eleições e o fim das “cidades-santuário”, locais que limitam a cooperação com autoridades federais de imigração.

Economia em Destaque e Críticas ao Passado

Trump dedicou cerca de 40 minutos do discurso à economia, exaltando seu governo e afirmando que os “Estados Unidos estão de volta, maiores, melhores, mais ricos e mais fortes do que nunca”. Ele criticou o governo anterior, de Joe Biden, alegando ter herdado o país em crise.

O presidente destacou indicadores como queda na inflação e alta na renda, embora especialistas questionem a sustentação desses dados pelo governo. Ele também elogiou o pacote de redução de impostos aprovado em julho, que aumentou a dívida nacional, e criticou a oposição por votar contra o projeto. Trump atacou a decisão da Suprema Corte que derrubou tarifas impostas a outros países, anunciando uma nova taxa global de 15% sobre produtos importados, que poderia substituir o atual sistema de imposto de renda.

Com aproximadamente 1 hora e 48 minutos, o discurso do “Estado da União” de Trump se tornou o mais longo da história, superando a marca de Bill Clinton em 2000. A tradição, iniciada por George Washington em 1790, evoluiu ao longo dos anos, tornando-se mais longa e voltada para a audiência televisiva, com Woodrow Wilson retomando o formato presencial em 1913 e Harry Truman sendo o primeiro a ter o discurso transmitido pela TV em 1947.

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