Decisão do STF suspende pagamentos extras que ultrapassam o teto salarial nos Três Poderes
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, proferiu uma decisão liminar que impacta diretamente os Três Poderes da República: Executivo, Legislativo e Judiciário. A medida visa garantir o cumprimento rigoroso do teto constitucional de remuneração, fixado em R$ 46.366, impedindo que pagamentos adicionais, conhecidos como “penduricalhos”, o ultrapassem.
A decisão do ministro Dino atende a um pedido para coibir o uso indevido de verbas indenizatórias, que, na prática, estariam sendo utilizadas para inflar salários e burlar o limite estabelecido pela Constituição. A determinação agora será submetida ao Plenário do STF para apreciação.
Essa intervenção surge em um momento de debates acalorados sobre a remuneração de servidores públicos, especialmente após a recente aprovação, pela Câmara dos Deputados e pelo Senado, de projetos de lei que concederam reajustes e gratificações significativas aos servidores do Legislativo. Conforme apurado, a decisão de Dino reforça o entendimento já consolidado pelo STF de que apenas verbas indenizatórias expressamente previstas em lei podem ser consideradas fora do teto.
Revisão de verbas e prazo para adequação
A liminar estabelece um prazo de até 60 dias para que todos os órgãos federais revisem os valores pagos a título de verbas indenizatórias. Aquelas que não possuírem amparo legal explícito deverão ser suspensas imediatamente. A decisão também pressiona o Congresso Nacional a aprovar uma lei que regulamente de forma clara quais verbas indenizatórias podem ser exceção ao teto constitucional.
Contexto da decisão: Reajustes no Legislativo
A decisão de Flávio Dino ocorre logo após a aprovação, na Câmara e no Senado, de projetos de lei que previam reajustes e gratificações de até 100% para servidores do Legislativo. Os projetos, PL 179/2026 (Câmara) e PL 6070/2026 (Senado), haviam sido aprovados e aguardavam sanção presidencial. A ação do ministro do STF busca impedir que esses e outros pagamentos extras violem o limite de remuneração estabelecido pela Constituição Federal.
O que são os “penduricalhos” e o teto constitucional
O teto constitucional de remuneração foi instituído para limitar os gastos públicos com salários do funcionalismo. Ele corresponde ao subsídio mensal, em espécie, dos ministros do Supremo Tribunal Federal, que atualmente é de R$ 46.366. “Penduricalhos” referem-se a adicionais, gratificações e outras verbas que, em alguns casos, eram somadas ao salário base, ultrapassando o valor estabelecido como limite máximo.
O papel das verbas indenizatórias
Verbas indenizatórias, por natureza, destinam-se a cobrir despesas específicas e comprovadas do servidor, como auxílio-alimentação ou auxílio-transporte. No entanto, o ministro Dino identificou um uso que desvirtua essa finalidade, transformando-as em instrumentos para **aumentar a remuneração total** para além do teto. A decisão busca, portanto, diferenciar o que é de fato indenização de parcelas que se configuram como remuneração.