Irã e EUA relatam “bons avanços” em negociações sobre programa nuclear, mas divergências permanecem

A terceira rodada de negociações entre Estados Unidos e Irã sobre o controverso programa nuclear iraniano, realizada em Genebra, Suíça, com mediação de Omã, terminou com declarações de “bons avanços” por ambas as partes. Representantes dos dois países indicaram que as conversas foram as “mais sérias” até o momento, com aproximação em diversos pontos, embora ainda restem diferenças cruciais.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, expressou otimismo, afirmando que “se entrou seriamente nos elementos de um acordo”. Ele reconheceu, contudo, que “ainda existem diferenças” a serem superadas, apesar de muitas posições terem se aproximado.

O mediador das negociações, o chanceler de Omã, Badr bin Hamad al Busaidi, corroborou a visão de progresso, definindo o resultado como um “progresso significativo”. As conversas, que se estenderam por cerca de seis horas, foram mais longas que as rodadas anteriores, sinalizando a profundidade dos debates.

Nova rodada técnica marcada para Viena

Apesar do clima positivo, as delegações decidiram agendar uma nova rodada de discussões em nível técnico para a próxima segunda-feira, 2 de março, em Viena, Áustria. A escolha da capital austríaca não é por acaso, pois é a sede da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). O diretor-geral da AIEA, Rafael Grossi, esteve presente nas negociações em Genebra, embora não tenha participado diretamente das conversas, demonstrando a importância do órgão no contexto das discussões.

Pressão americana e temores de conflito regional

O diálogo ocorre em um cenário de alta tensão, com os Estados Unidos exercendo forte pressão sobre o Irã. O presidente americano, Donald Trump, recentemente ordenou um reforço aeronaval no Oriente Médio e advertiu sobre a possibilidade de um ataque ao Irã caso não haja avanços diplomáticos. Essa movimentação militar intensificou os temores de um conflito regional, adicionando urgência às negociações nucleares.

O cerne do impasse: enriquecimento de urânio e mísseis balísticos

O ponto central das divergências reside no programa nuclear iraniano. Enquanto o regime do Irã insiste que suas atividades são exclusivamente para fins civis, os Estados Unidos buscam impor restrições máximas ao enriquecimento de urânio pelo país, visando impedir o desenvolvimento de armas nucleares. As exigências americanas incluem a entrega de mais de 400 quilos de urânio enriquecido acima dos níveis permitidos para uso civil, o que o Irã rejeita categoricamente.

Adicionalmente, Washington pressiona para que o programa de mísseis balísticos do Irã seja incluído nas negociações. Teerã, por sua vez, afirma que não aceitará tal inclusão no formato atual das tratativas. Essas posições antagônicas são os principais obstáculos para a conclusão de um acordo definitivo, apesar dos “bons avanços” celebrados em Genebra.

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