Calor intenso compromete o cultivo de alface no Brasil, com 97% do território em alto risco climático até o fim do século.
A alface, um dos alimentos mais presentes na mesa dos brasileiros, enfrenta um futuro incerto devido às mudanças climáticas. Suas folhas delicadas e a necessidade de temperaturas amenas tornam a hortaliça particularmente vulnerável ao calor cada vez mais intenso.
Produtores rurais já sentem os efeitos desse cenário, com verões mais longos e quentes impactando diretamente a qualidade e a quantidade da produção. Adaptações se tornam cruciais para mitigar os prejuízos e garantir o abastecimento.
Um estudo recente da Embrapa revela a dimensão do problema, projetando um cenário preocupante para o futuro do cultivo de alface a céu aberto no país, conforme informações divulgadas pela própria instituição.
Estudo da Embrapa aponta alto risco climático para o cultivo de alface
Um estudo da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) sinaliza que o aumento das temperaturas, impulsionado pelas mudanças climáticas, representa uma **ameaça significativa** para o cultivo de alface no Brasil. A pesquisa indica que, mesmo em um cenário otimista, entre 2071 e 2100, aproximadamente **97% do território nacional poderá apresentar risco climático alto ou muito alto** para o plantio da hortaliça durante o verão.
Impactos do estresse térmico na qualidade e produtividade da alface
O engenheiro ambiental Carlos Eduardo Pacheco, da Embrapa, explica que a alface é uma cultura **extremamente sensível ao estresse térmico**. Temperaturas elevadas comprometem não apenas a qualidade das folhas, mas também a produtividade geral da lavoura. No campo, os efeitos já são visíveis, especialmente durante os meses de verão.
Um dos problemas mais recorrentes é a chamada “queima de borda”. O calor excessivo, combinado com alta umidade, acelera o crescimento das folhas, mas **prejudica o transporte de cálcio na planta**. Isso resulta em manchas escuras nas bordas das folhas, comprometendo o aspecto visual e, consequentemente, o valor comercial do produto.
Produtores buscam alternativas para proteger a lavoura do calor
Diante desse quadro desafiador, agricultores como Damião dos Reis Freitas, que cultiva alface em Guapiaçu (SP) desde o início dos anos 90, têm buscado soluções para amenizar os impactos do calor. Damião passou a cobrir os canteiros com **lonas específicas** durante o verão para ajudar a manter a umidade do solo e **reduzir a incidência direta do sol**. Ele também intensificou a frequência das regas ao longo do dia.
Outro produtor da região, Luiz Herculano Zampollo, enfrentou perdas de até 45% em sua produção nos meses mais quentes e decidiu investir em **estruturas de sombreamento**. Atualmente, ele cultiva alface em bandejas no sistema hidropônico, dentro de estufas, mas reconhece que o calor intenso ainda é um desafio e planeja aprimorar o ambiente de cultivo para garantir maior estabilidade na produção da hortaliça.