Celso Amorim alerta para ‘pior’ cenário no Oriente Médio e pede preparo do Brasil
O embaixador Celso Amorim, assessor especial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, expressou uma visão cautelosa sobre o crescente conflito no Oriente Médio, envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel. Segundo ele, o Brasil precisa estar preparado para o que ele descreve como o “pior” cenário possível.
Amorim detalhou que o “pior” se refere a um potencial alastramento do conflito na região. Ele destacou o histórico de fornecimento de armamentos pelo Irã a grupos xiitas em outros países, além de grupos radicais, o que aumenta a complexidade da situação.
O assessor especial informou que teria uma conversa telefônica com o presidente Lula ainda nesta segunda-feira para discutir o assunto, pois ainda não haviam tido uma conversa aprofundada sobre a escalada das tensões. As informações foram divulgadas pela GloboNews.
Impactos na agenda presidencial e diplomacia brasileira
Interlocutores do Planalto indicam que a diplomacia brasileira avaliará como o conflito no Oriente Médio pode afetar a agenda de Lula com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Uma visita prevista de Lula a Washington, entre 15 e 17 de março, ainda não foi confirmada oficialmente, embora Trump tenha expressado o desejo de receber o presidente brasileiro.
O governo brasileiro já manifestou solidariedade aos países afetados por ataques retaliatórios do Irã e pediu a cessação das ações militares na região do Golfo. Em nota divulgada no sábado (28), o Ministério das Relações Exteriores classificou a escalada como uma grave ameaça à paz mundial.
Entenda a escalada de tensões no Oriente Médio
A recente escalada de tensões teve início com uma grande ofensiva aérea dos Estados Unidos e Israel contra alvos militares e estratégicos no Irã, justificada pela necessidade de desmantelar o programa nuclear iraniano e responder a ameaças. Em retaliação, o Irã lançou mísseis e drones contra Israel e bases americanas em diversos países do Oriente Médio.
Os ataques resultaram em baixas significativas na liderança iraniana, incluindo a morte do líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, confirmada pelo próprio governo. Outras altas autoridades militares também foram vítimas dos confrontos. O conflito levou ao fechamento do Estreito de Ormuz e provocou centenas de mortes no Irã, desencadeando uma onda de ataques em vários países da região.
Brasil se posiciona diante da crise
Em nota oficial, o Itamaraty, diferentemente de comunicados anteriores que citavam diretamente Israel e Estados Unidos, optou por não nomear os países na última declaração sobre a escalada. A posição reflete a preocupação brasileira com a instabilidade regional e a necessidade de buscar caminhos para a pacificação, conforme relatado pela GloboNews.
A diplomacia brasileira busca entender as implicações do conflito para a segurança global e regional, e como isso pode impactar relações bilaterais importantes. A preparação para o “pior”, como mencionado por Celso Amorim, indica uma estratégia de antecipação a possíveis desdobramentos negativos do conflito no Oriente Médio.