Ministro Luiz Marinho detalha plano do governo para jornada de trabalho, focando em 40 horas semanais e o fim da escala 6×1, considerada “cruel”.
O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, trouxe à tona o real objetivo do governo em relação à jornada de trabalho. Em entrevista, ele afirmou que a pauta principal defendida pela gestão atual não é simplesmente o fim da escala 6×1, mas sim a **redução das horas trabalhadas semanalmente**, com a meta de **40 horas sem diminuição salarial**.
Marinho explicou que a escala 6×1, apesar de não ser o foco central, ganhou destaque por ser percebida como a mais desgastante para os trabalhadores, especialmente para as mulheres. A proposta de **reduzir a jornada máxima de 44 para 40 horas semanais** é vista como o caminho para, na prática, eliminar a escala 6×1 e garantir mais tempo livre.
A ideia é que a lei estabeleça essa redução de jornada sem cortes no salário. A definição de como será organizada a semana de trabalho, com dois dias de descanso, ficaria a cargo das negociações entre empregadores e empregados. Conforme informação divulgada pelo ministro Luiz Marinho, o objetivo é que a **jornada máxima no Brasil seja a prioridade do debate**, com a redução para 40 horas semanais sendo o principal caminho para atingir esse fim.
O debate em torno da escala 6×1 e a busca por mais tempo livre
O ministro Luiz Marinho ressaltou que a escala 6×1 se tornou um tema de grande repercussão por ser amplamente considerada a **”mais cruel”**, afetando de forma significativa a qualidade de vida dos trabalhadores, em especial das mulheres. A busca por **mais tempo livre** tem mobilizado a sociedade, atraindo a atenção, inclusive, da juventude.
A pauta da **redução da jornada de trabalho** tem ganhado força, e o fim da escala 6×1 surge como um símbolo dessa reivindicação. A expectativa é que a nova configuração da jornada proporcione um **equilíbrio maior entre vida pessoal e profissional**, algo cada vez mais valorizado pelos brasileiros.
Tramitação da proposta no Congresso Nacional
A proposta que visa acabar com a escala 6×1 já tramita no Congresso Nacional. Apresentada pelas deputadas Erika Hilton (PSOL-SP) e Reginaldo Lopes (PT-MG), o texto chegou à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) em fevereiro. A proposta estabelece que a jornada de trabalho **não poderá exceder 8 horas diárias e 40 horas semanais**, garantindo dois dias de folga.
O projeto agora segue para análise na CCJ, onde sua constitucionalidade será avaliada, antes de passar por uma comissão especial para debater o mérito. Caso aprovada pelos deputados, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) ainda precisará ser votada no Senado. Se aprovada sem alterações nas duas casas, será promulgada pelo Congresso, sem a necessidade de sanção presidencial.
Desafios e articulações políticas para a aprovação da PEC
A tramitação da PEC que extingue a escala 6×1 enfrenta desafios. O deputado Paulo Azi (União-BA) foi designado para relatar a proposta na CCJ, mas seu partido, o União Brasil, já manifestou **contrariedade à mudança**. A legenda tem articulado para **frear o avanço da proposta** nas comissões, com o objetivo de adiar a discussão e impedir que o tema chegue ao plenário da Câmara dos Deputados.
Apesar das resistências, o governo mantém o foco na **redução da jornada para 40 horas semanais**, buscando o consenso para implementar essa mudança que promete impactar positivamente a vida de milhões de trabalhadores no Brasil.