Economia brasileira sente o peso da taxa Selic elevada, com impacto direto no crescimento do PIB
O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil apresentou uma **desaceleração em 2025**, registrando um crescimento de 2,3%. Este desempenho é inferior aos 3,4% alcançados em 2024 e representa o menor índice dos últimos cinco anos. A análise do Ministério da Fazenda aponta a **taxa de juros básica (Selic), atualmente em 15% ao ano**, como um dos principais fatores para essa redução no ritmo de expansão.
A Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda avaliou que a política monetária contracionista, caracterizada por juros elevados, teve um **”impacto relevante sobre a atividade” econômica** do país. Essa estratégia, embora necessária para controlar a inflação e buscar a meta central de 3% em 2026, cobra seu preço no dinamismo da economia.
O cenário de perda de fôlego se tornou mais evidente no segundo semestre de 2025, quando a atividade econômica permaneceu praticamente estável. Sem a contribuição expressiva do agronegócio, da indústria extrativa e do setor externo, o resultado do PIB seria ainda mais fraco nos últimos dois triméis. As informações foram divulgadas pelo Ministério da Fazenda nesta terça-feira (3).
Previsão para 2026: Otimismo cauteloso do governo
Apesar da desaceleração observada, o Ministério da Fazenda manteve a projeção de **crescimento do PIB em 2,3% para 2026**. Essa expectativa, contudo, diverge da estimativa do mercado financeiro, que prevê um avanço menor, de 1,8% para o mesmo período. O governo baseia sua projeção em uma reacomodação dos setores produtivos.
Setores e demanda: O que esperar para os próximos anos
Pela ótica da oferta, o Ministério da Fazenda espera uma **desaceleração acentuada no setor agropecuário**. No entanto, essa queda deve ser compensada por um ritmo maior de crescimento na indústria e nos serviços. Já pela ótica da demanda, a expectativa é de uma **maior contribuição da absorção doméstica** em comparação com 2025, embora o setor externo deva ter uma participação menor.
Primeiro trimestre de 2026: Aceleração impulsionada pela renda
Para o primeiro trimestre de 2026, o Ministério da Fazenda projeta uma **”aceleração acentuada do PIB”**, com um ritmo próximo a 1%. Esse impulso é atribuído principalmente ao **aumento da renda disponível da população**, decorrente da isenção do imposto de renda retido na fonte para quem ganha até R$ 5 mil. Essa medida tende a estimular o consumo e, consequentemente, a atividade econômica.
Taxa Selic: Ferramenta crucial no combate à inflação
A taxa Selic em 15% ao ano é o principal instrumento do Banco Central para **conter a inflação** e trabalhar em direção à meta central de 3% para 2026 e anos seguintes. Apesar do impacto na atividade econômica, a manutenção de juros elevados é vista como essencial para a estabilidade de preços a médio e longo prazo.