Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master, é detido pela terceira vez em operação contra fraudes financeiras.
A Polícia Federal efetuou nesta quarta-feira (4) a prisão do banqueiro Daniel Vorcaro, conhecido por ser o proprietário do extinto Banco Master. Esta é a terceira vez que Vorcaro é detido no âmbito da Operação Compliance Zero, que investiga um suposto esquema bilionário de fraudes financeiras envolvendo a instituição.
A ação policial ocorreu em São Paulo, com o cumprimento de outros três mandados de prisão preventiva e 15 de busca e apreensão, distribuídos entre São Paulo e Minas Gerais. A investigação aponta para indícios de lavagem de dinheiro e outros crimes graves.
Conforme informações divulgadas pela Polícia Federal, além da fraude financeira, as apurações agora incluem crimes como ameaça e invasão de dispositivos de informática. Anteriormente, já eram investigadas as tipificações de corrupção e lavagem de dinheiro.
Ameaças e Coação de Testemunhas em Grupo de Mensagens
A investigação revelou a existência de um grupo de mensagens onde Daniel Vorcaro supostamente dava ordens para ameaçar e coagir testemunhas, além de obstruir a Justiça. Para isso, ele utilizava telefones celulares que não haviam sido entregues às autoridades nas fases anteriores da operação.
Descobriu-se também que um ex-diretor do Banco Central participava deste grupo. Um policial civil aposentado seria o responsável por executar as ameaças contra testemunhas e estaria entre os presos nesta manhã. Outra pessoa detida seria encarregada do monitoramento de testemunhas e jornalistas que eram alvos de Vorcaro.
Bloqueio de Bens e Afastamento de Servidores Públicos
A Polícia Federal determinou o sequestro e bloqueio de bens no valor de até R$ 22 bilhões. O objetivo, segundo a corporação, é **interromper a movimentação de ativos ligados ao grupo investigado** e preservar valores que possam estar relacionados às práticas ilícitas apuradas.
Em paralelo, dois servidores de carreira do Banco Central foram afastados de suas funções públicas devido ao envolvimento com o banqueiro Daniel Vorcaro. A decisão visa garantir a integridade das investigações.
Histórico da Operação Compliance Zero e Liquidação do Banco Master
Daniel Vorcaro foi preso pela primeira vez em novembro do ano passado, durante a fase inicial da Operação Compliance Zero. Na ocasião, a investigação focava em suspeitas de fraudes contra o Sistema Financeiro Nacional (SFN).
A operação apurava a venda de carteiras de crédito sem lastro, no valor de R$ 12,2 bilhões, ao Banco de Brasília (BRB), o que teria gerado um rombo financeiro. Após a primeira prisão, Vorcaro chegou a ser solto mediante uso de tornozeleira eletrônica e outras restrições judiciais.
Paralelamente ao avanço das investigações, o Banco Central decretou a **liquidação extrajudicial do Banco Master**, alegando incapacidade da instituição em honrar seus compromissos financeiros. Instituições coligadas, como os bancos Letsbank, Will Bank e Pleno, e a corretora Reag, também foram afetadas.
Em janeiro, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, chegou a afirmar que as operações suspeitas do Banco Master poderiam configurar a **maior fraude bancária da história do país**. Os mandados desta nova fase foram autorizados pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
A defesa do banqueiro e o Banco Central foram procurados pela reportagem e aguardam retorno para comentar o caso.