As últimas horas do banqueiro Daniel Vorcaro antes de ser preso em 17 de novembro de 2025 revelam uma agenda intensa, marcada por anúncios importantes, reuniões estratégicas e investigações que culminaram em sua detenção no aeroporto de Guarulhos. A sequência de eventos, detalhada por reportagem da Gazeta do Povo, expõe uma corrida contra o tempo e uma complexa teia de negociações e supostas articulações.
A detenção ocorreu em um momento crítico, logo após a divulgação oficial da venda do Banco Master, um processo que se desenrolava há algum tempo. A investigação da Polícia Federal aponta para a tentativa de fuga do país como um dos fatores determinantes para a ação policial, que agiu rapidamente para impedir a saída de Daniel Vorcaro.
O caso envolve ainda alegações de comunicação com altas autoridades do judiciário e ações defensivas que tentaram, sem sucesso, evitar a ordem de prisão. A história completa, com todos os detalhes e desdobramentos, foi apurada pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo.
Venda do Banco Master e Agenda Frenética
O dia 17 de novembro de 2025 começou cedo para Daniel Vorcaro. Relatos indicam que, às 7h19, ele já antecipava o anúncio da venda do Banco Master para o grupo Fictor. Ao longo do dia, sua agenda incluiu uma reunião virtual com diretores do Banco Central, além de tentativas de negociação para a venda de uma cobertura de luxo em São Paulo, avaliada em R$ 60 milhões. Poucas horas antes de sua prisão, o comunicado oficial sobre a venda do banco foi divulgado ao mercado.
Mensagens e Negativas: A Polêmica com Alexandre de Moraes
Investigações da Polícia Federal sugerem que Daniel Vorcaro trocou mensagens via WhatsApp com o ministro Alexandre de Moraes no dia de sua prisão. O banqueiro teria utilizado uma estratégia de enviar fotos de textos, com visualização única, para dificultar o rastreamento. Alexandre de Moraes nega veementemente qualquer contato, classificando as informações como “ilações mentirosas”. No entanto, a perícia encontrou rascunhos dessas mensagens armazenados no celular de Vorcaro, o que levanta sérias questões.
A Defesa em Ação e a Tentativa de Evitar a Prisão
A defesa de Daniel Vorcaro agiu rapidamente. Apenas 18 minutos após o juiz Ricardo Soares Leite decretar a prisão, e antes mesmo de serem notificados oficialmente, os advogados protocolaram uma petição para barrar medidas cautelares. Há ainda a suspeita de que o banqueiro tenha pagado R$ 2 milhões a um site de notícias para divulgar informações sobre o processo sigiloso, em uma tentativa de criar um “fato consumado” que pudesse dificultar sua detenção.
Servidores do Banco Central Afastados
O episódio também envolveu o afastamento de dois servidores do Banco Central, suspeitos de ligação com Daniel Vorcaro. De acordo com a Polícia Federal, eles teriam auxiliado o banqueiro a driblar a fiscalização do próprio órgão, repassando informações privilegiadas e colaborando na redação de pedidos oficiais. Mesmo com a reunião virtual ocorrida no início da tarde, o Banco Central decretou a liquidação do Banco Master menos de 24 horas depois, demonstrando a gravidade da situação.
Da Prisão à Nova Ordem: Os Próximos Passos
Preso ao tentar embarcar em um jato particular com destino a Dubai, Daniel Vorcaro permaneceu detido por 11 dias. Ele obteve liberdade provisória por meio de uma desembargadora federal, sob a condição de usar tornozeleira eletrônica e entregar o passaporte. Contudo, uma nova ordem de prisão foi determinada recentemente pelo ministro André Mendonça, novo relator do caso no STF, com base no conteúdo extraído dos celulares apreendidos, indicando que o caso está longe de ser encerrado.