Advogado de Lula defende arquivamento de apurações de Lulinha após vazamento de dados bancários
O jurista Marco Aurélio de Carvalho, advogado e amigo da família do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, manifestou-se nesta segunda-feira (9) em defesa do arquivamento das investigações que envolvem Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. Segundo Carvalho, a divulgação de informações sigilosas de Lulinha, que ocorreram durante apurações da CPMI do INSS, evidencia a falta de elementos concretos para prosseguir com as investigações.
“Eu acredito que os vazamentos deveriam levar ao arquivamento das investigações, realmente não tem fatos que possam sustentar o prosseguimento das investigações”, declarou Carvalho por mensagem à Gazeta do Povo, reforçando seu posicionamento.
A quebra do sigilo bancário e fiscal de Lulinha revelou movimentações financeiras milionárias. As apurações buscam entender uma possível ligação entre Lulinha e Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, figura central em um esquema investigado.
Prerrogativas compara vazamentos de Lulinha e Master aos da Lava Jato
O grupo de advogados e professores de Direito de esquerda, Prerrogativas, do qual Marco Aurélio de Carvalho é um dos coordenadores, divulgou uma nota comparando os vazamentos de informações relacionadas a Lulinha e ao caso Master aos ocorridos durante a Operação Lava Jato. O grupo classificou os vazamentos como “infames” e criticou a “espetacularização” da atuação policial.
Na nota, o Prerrogativas expressa “grave preocupação diante dos abusos praticados nos procedimentos investigatórios”. O grupo ressalta a importância da investigação de fraudes, mas não pode admitir “a sucessão de irregularidades praticadas no decurso desses procedimentos”.
Críticas à exposição vexatória e à antecipação de culpa
O texto do Prerrogativas também condena a “exposição vexatória dos investigados”, que cria um ambiente de “abominável espetacularização da atuação policial que remete à ignominiosa memória da Operação Lava Jato”. O grupo alerta que a manipulação de procedimentos e a execução de medidas cautelares não podem violar direitos fundamentais, sob risco de “antecipar a culpabilização e estigmatizar os envolvidos”.
Os juristas argumentam que os “excessos inaceitáveis cometidos durante a Operação Lava Jato deveriam servir de alerta para que a atuação da Polícia Federal adotasse o rigoroso marco da legalidade”.
Defesa de garantias constitucionais e sigilo
O grupo defende a preservação das garantias inerentes à presunção de inocência e à dignidade dos acusados. Além disso, enfatiza a importância de zelar pelo sigilo das provas que possam afetar a intimidade e os direitos de privacidade dos envolvidos, contendo a “nociva espetacularização das investigações”.
Enquanto isso, parlamentares da oposição pedem a prisão preventiva de Lulinha no âmbito da CPMI do INSS, temendo sua fuga do país. Os advogados de Lulinha, por sua vez, não reconhecem a necessidade de tal medida.