Pessimismo com a economia cresce entre brasileiros, diz Datafolha
A percepção sobre a situação econômica do Brasil piorou significativamente entre os brasileiros nos últimos meses. Uma nova pesquisa do Datafolha aponta que a maioria dos entrevistados observa um cenário de deterioração, com impactos diretos na confiança em relação ao futuro e ao governo federal.
O levantamento detalha a desconfiança em diversos aspectos, desde a inflação e o desemprego até a situação financeira pessoal. Esses sentimentos negativos se refletem também na avaliação do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que registra aumento na desaprovação.
Os dados indicam um cenário de apreensão generalizada, com o pessimismo se manifestando tanto na visão sobre o presente quanto nas expectativas para os próximos meses. Acompanhe os detalhes dessa pesquisa e seus desdobramentos.
Cresce o pessimismo com a economia brasileira
De acordo com a pesquisa Datafolha divulgada nesta quarta-feira (11), 46% dos brasileiros afirmam ter percebido uma piora na economia nos últimos meses. Este percentual representa um aumento em relação ao final do ano passado, quando 41% demonstravam pessimismo em relação à situação financeira pessoal, inflação e desemprego. O grupo que percebeu melhora na economia caiu de 29% para 24% no mesmo período.
O pessimismo é mais acentuado entre evangélicos, com 57% relatando piora econômica, enquanto entre católicos o índice é de 41%. Eleitores que apoiam o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à presidência também mostram alto pessimismo, atingindo 77%. Em contrapartida, entre os eleitores do presidente Lula, apenas 14% percebem piora na economia.
Expectativas futuras e avaliação do governo Lula
O pessimismo se estende às expectativas para os próximos meses, com 35% dos entrevistados acreditando que a economia vai piorar, um aumento considerável em relação aos 21% registrados em dezembro. Por outro lado, apenas 30% esperam melhora no cenário econômico, um índice inferior aos 46% que tinham essa expectativa no fim do ano passado. O otimismo, contudo, é maior entre pessoas de baixa renda e moradores do Nordeste.
Em relação ao governo federal, a avaliação positiva de Lula permaneceu estável em 32% entre dezembro de 2025 e março de 2026. No entanto, a avaliação negativa subiu de 37% para 40%, uma variação considerada dentro da margem de erro da pesquisa.
Desemprego e inflação geram preocupação
A percepção sobre a própria situação financeira também piorou: 33% dizem que sua condição econômica piorou nos últimos meses, ante 26% em dezembro. Simultaneamente, o número de brasileiros que afirmam ter melhorado financeiramente caiu de 36% para 30%.
A preocupação com o desemprego aumentou, com 48% acreditando que o número de pessoas sem trabalho crescerá nos próximos meses, superior aos 42% do levantamento anterior. Apenas 21% esperam queda no desemprego. Esses números contrastam com dados recentes do IBGE, que indicam taxa de desemprego de 5,4% no trimestre encerrado em janeiro de 2026, um dos menores níveis históricos.
A inflação é outro fator de preocupação, com 61% dos entrevistados acreditando que os preços continuarão subindo. Somente 11% esperam queda e 23% preveem estabilidade. Essa percepção impacta diretamente a expectativa sobre o poder de compra, com 39% dos brasileiros temendo uma diminuição, enquanto 32% preveem aumento.
A pesquisa ouviu 2.004 pessoas em 137 municípios entre 3 e 5 de março, com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%. O registro na Justiça Eleitoral é BR-03715/2026.