EUA não consultarão Brasil sobre classificação de facções como terroristas, aponta promotor

O promotor de Justiça de São Paulo, Lincoln Gakiya, afirmou que os Estados Unidos não levarão em conta a opinião do governo brasileiro ao discutir a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho como organizações terroristas. A declaração surge após reuniões do promotor com assessores americanos focadas em entender o funcionamento das facções.

Segundo Gakiya, representantes do governo norte-americano demonstraram interesse em compreender a estrutura e a atuação internacional do PCC, organização que ele investiga há duas décadas. A decisão sobre a classificação seria um ato interno dos EUA, sem a necessidade de consulta ao Brasil.

O governo brasileiro tem buscado evitar que essa discussão avance em Washington, com a estratégia de adiar qualquer decisão até uma possível reunião entre o presidente Lula e o presidente americano. A informação foi divulgada em entrevista à GloboNews.

Interesse Americano em Detalhes sobre o PCC

Autoridades americanas estiveram no Brasil em 2025 para coletar informações detalhadas sobre a atuação do PCC, com o objetivo de avaliar os impactos da organização criminosa tanto no Brasil quanto em outros países onde ela tem presença. Gakiya deve se reunir novamente com representantes americanos nesta semana, preparando-se para encontros mais amplos com agentes da DEA, FBI e do Departamento de Estado dos EUA.

PCC: Organização Mafiosa com Ações de Natureza Terrorista

Lincoln Gakiya descreveu o PCC como uma organização mafiosa com atuação transnacional em mais de 28 países, que pratica atos de natureza terrorista, como os ataques ocorridos em São Paulo em 2006. No entanto, ele ressalta que a facção não possui objetivos políticos ou ideológicos que justifiquem a classificação de terrorista.

O promotor, que vive sob escolta policial há mais de dez anos, criticou o uso político do tema. Ele apontou que parte da população acredita que a classificação de terrorista ajudará no endurecimento de penas ou na recuperação de ativos, enquanto outros temem uma intervenção americana no Brasil.

Obstáculos e Consequências da Classificação de Terrorismo

Gakiya alertou que rotular o PCC como organização terrorista pode criar obstáculos burocráticos. Atualmente, a troca de informações entre o Ministério Público brasileiro e agências americanas ocorre diretamente. Uma alteração nessa classificação tornaria os dados confidenciais sob responsabilidade da CIA, reduzindo o acesso direto de investigadores brasileiros.

Além disso, o promotor alertou para possíveis consequências econômicas e diplomáticas, como sanções internacionais ou dificuldades de acesso a instituições financeiras multilaterais. Ele destacou que a classificação como terrorista autoriza o governo americano a executar ações militares fora de seu território e pode gerar pressões econômicas contra o país.

Falta de Ganho Prático na Investigação

Na avaliação de Gakiya, a mudança de classificação não traria ganhos práticos para as investigações no Brasil. Ele enfatizou que não é a classificação do PCC ou do Comando Vermelho como organizações terroristas que auxiliará na melhora ou eficiência do combate ao crime organizado.

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