Moraes nega visita de assessor de Trump a Bolsonaro após alerta do Itamaraty sobre ingerência externa
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, reverteu sua decisão anterior e negou, nesta quinta-feira (12), a permissão para que Darren Beattie, assessor do Departamento de Estado dos Estados Unidos, visitasse o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no Brasil.
A mudança de entendimento ocorreu após o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, apresentar argumentos que apontavam inconsistências no pedido original de visto. Beattie havia justificado sua entrada no país apenas para participar de um fórum sobre minerais críticos, sem mencionar o encontro com Bolsonaro.
Com base nas informações de Vieira, Moraes concluiu que a visita não estava alinhada ao propósito diplomático que autorizou o visto e, mais grave, não foi previamente comunicada às autoridades brasileiras, o que poderia, inclusive, levar à reavaliação da concessão do visto.
Alerta sobre ingerência em ano eleitoral
Um dos pontos cruciais para a decisão de Moraes foi um trecho do ofício enviado por Mauro Vieira. O documento alertava para o risco de “indevida ingerência em assuntos internos” do Brasil, especialmente considerando o atual cenário eleitoral no país.
A articulação para a visita de Beattie a Bolsonaro surgiu após a defesa do ex-presidente solicitar a alteração da data de um encontro já autorizado, a fim de adequá-lo à agenda do assessor americano. Diante disso, Moraes buscou esclarecimentos junto ao Itamaraty sobre a existência de alguma agenda diplomática oficial.
Reunião com o Itamaraty e comunicação informal
Houve uma tentativa de articulação para uma reunião entre Beattie e Marcelo Della Nina, chefe da Coordenação-Geral de Ilícitos Transnacionais (Cocit), porém, sem confirmação oficial. O assessor americano tem chegada prevista ao Brasil para a próxima segunda-feira (16) e retorno aos EUA na quarta-feira (18).
Apesar de a visita a Bolsonaro não constar na justificativa do visto, o Itamaraty reconheceu que a embaixada dos Estados Unidos em Brasília havia comunicado informalmente sobre a intenção de Beattie em se encontrar com o ex-presidente. No entanto, para Alexandre de Moraes, essa comunicação verbal não é suficiente para justificar a reunião, especialmente em razão dos riscos apontados.