Guerra no Irã eleva preço do petróleo e pressiona inflação no Brasil, com projeções de até US$ 100 por barril e mais de 4% de inflação em 2026.
A escalada do conflito no Oriente Médio, envolvendo o Irã, tem gerado ondas de choque nos mercados globais, especialmente no setor de energia. O preço do petróleo, commodity essencial para a economia mundial, já sente os efeitos da instabilidade, com o governo brasileiro projetando um cenário de preços elevados para os próximos anos.
Diante da incerteza geopolítica, a Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda divulgou novas projeções para a economia brasileira. Em um cenário considerado “disruptivo” ou “radical”, o preço médio do barril de petróleo pode atingir US$ 100 neste ano, impactando diretamente a inflação no país.
Essas projeções, divulgadas nesta sexta-feira (13), indicam que a inflação brasileira pode superar os 4% em 2026 caso o cenário de alta no preço do petróleo se concretize. O documento também aponta um aumento significativo na arrecadação federal líquida, podendo chegar a R$ 96,6 bilhões em 2026, segundo as projeções do Ministério da Fazenda.
Cenários de Risco e Impacto na Inflação
O Ministério da Fazenda detalhou três cenários para o preço do petróleo e seus efeitos na economia brasileira. No cenário mais crítico, o “choque disruptivo”, o preço médio do barril de petróleo neste ano subiria para US$ 100. Isso resultaria em um impacto de 0,58 ponto percentual na inflação, um aumento de US$ 10,3 bilhões no saldo comercial e uma elevação de R$ 96,6 bilhões na arrecadação.
Em contraste, o cenário “choque temporário” prevê o barril a US$ 73,1, com impacto de 0,14 ponto percentual na inflação. Já o “choque persistente” eleva o preço médio para US$ 82, impactando a inflação em 0,33 ponto percentual. A pasta ressalta que o impacto não é linear e que cenários ainda mais extremos podem levar a um quadro de estagflação, prejudicando o crescimento mundial e brasileiro.
Arrecadação Federal e Impactos Diretos e Indiretos
A alta nos preços do petróleo não afeta apenas a inflação, mas também a arrecadação do governo central. De forma direta, o choque eleva a arrecadação de royalties e participações especiais pagas pelas empresas exploradoras, além dos tributos sobre o lucro das empresas do setor de petróleo e derivados, como o IRPJ e a CSLL.
Há também um impacto indireto em outras receitas cuja base tributária possa se alterar em razão da mudança no preço da commodity. O Ministério da Fazenda avalia que, mesmo com variações mais extremas no preço do petróleo, as perspectivas macroeconômicas para 2026 permanecem favoráveis, com expectativa de crescimento econômico resiliente e inflação em queda.
Economia Brasileira Resiliente Apesar das Turbulências
No cenário base do governo, que considera um choque temporário no preço do petróleo (barril a US$ 73,6), a inflação em 2026 foi revisada de 3,6% para 3,7%. No ano passado, a inflação oficial somou 4,26%. A estimativa para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano permaneceu em 2,3%, sem alterações em relação a 2025.
O conflito no Oriente Médio, que se intensificou após ataques coordenados contra o Irã e retaliações iranianas, afetou diretamente o Estreito de Ormuz, uma rota vital para o comércio energético global. Com a paralisação do fluxo de petroleiros e a ameaça constante de novos ataques, o mercado de energia entrou em estado de tensão, refletindo-se nas oscilações do preço do petróleo.