Haddad lança livro e critica democracia brasileira: “classe dominante vê Estado como sua”

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, fez um balanço crítico sobre a democracia no Brasil durante o lançamento de seu livro “Capitalismo superindustrial – caminhos diversos, destino comum”. Segundo o ministro, o sistema democrático brasileiro é “problemático” e “um pouco frágil”.

A fragilidade, na visão de Haddad, reside na percepção da “classe dominante do Brasil”, que, em sua opinião, entende o Estado como se fosse de sua propriedade privada, o que distorce o funcionamento democrático e a distribuição de poder e recursos.

Haddad também reconheceu, com certo tom de autocrítica, que a publicação de um livro com forte carga ideológica por um ministro da Fazenda “não é muito recomendável”. A obra, no entanto, é resultado de seus estudos acadêmicos, compilando artigos de seu mestrado em Economia e doutorado em Filosofia.

Críticas à União Soviética e a Marx

Durante o debate, o ministro Fernando Haddad expressou sua aversão à União Soviética, afirmando que “nunca curtiu” o país socialista. Essa repulsa o motivou a aprofundar seus estudos sobre Karl Marx.

Haddad observou divergências significativas entre a teoria marxista e a prática autoritária implementada na União Soviética sob a ditadura de Stalin. Ele questionou se as ações soviéticas realmente representavam os ideais de Marx.

“Os caras estão fazendo aquilo (na União Soviética) em nome desses caras (Marx)? Tem alguma coisa confusa acontecendo. Esse cara aqui não pode ter gerado uma experiência tão autoritária quanto aquela”, argumentou o ministro, destacando a contradição.

Compromisso com o cargo e a política

Fernando Haddad revelou que sua intenção era permanecer no cargo de ministro da Fazenda até a publicação de seu livro. Ele justificou que “a razão pela qual se entra na política é tentar encontrar caminhos”, e a publicação representava um marco importante em sua trajetória intelectual.

O ministro compartilhou uma história pessoal sobre sua relação com a leitura. Vindo de uma família humilde, onde seu pai era lavrador e sua mãe, dona de casa, Haddad confessou que, até ingressar na faculdade de Direito, sua leitura se limitava a materiais estritamente necessários para os vestibulares.

Futuro político e apoio a Lula

Apesar das pressões do PT para que concorra ao governo de São Paulo em 2024, Haddad declarou seu desejo de focar na campanha de Luiz Inácio Lula da Silva. O ministro, que foi vice de Lula nas eleições de 2018, reafirmou seu compromisso com o atual presidente.

No entanto, o ministro já anunciou que deixará o Ministério da Fazenda, sinalizando uma possível reconfiguração em sua atuação política nos próximos meses, com o olhar voltado para as estratégias eleitorais do partido.

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