Cláudio Castro pode ser impedido de concorrer ao Senado, abrindo caminho para Crivella e Pimentel na direita carioca.

O cenário eleitoral para o Senado no Rio de Janeiro pode sofrer reviravoltas significativas. O atual governador, Cláudio Castro (PL), que se apresentava como forte candidato, vê sua trajetória ameaçada por um processo no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que pode torná-lo inelegível.

Essa incerteza eleva as chances de outros nomes da direita, como o ex-prefeito Marcelo Crivella (Republicanos) e o ex-policial militar Rodrigo Pimentel, que ganhou fama com a Tropa de Elite, disputarem as vagas em disputa. A definição do futuro de Castro pode reconfigurar o mapa político do estado.

Uma pesquisa recente do instituto Real Time Big Data aponta Cláudio Castro na liderança das intenções de voto para senador, com 23%. Contudo, Marcelo Crivella surge em segundo lugar, com 15%, seguido por Rodrigo Pimentel, com 12%, empatado com Benedita da Silva (PT). As informações são do portal Gazeta do Povo.

Ameaça de inelegibilidade paira sobre Cláudio Castro

O principal obstáculo para a candidatura de Cláudio Castro é o julgamento em andamento no TSE, referente ao caso conhecido como “escândalo do Ceperj”. O governador é acusado de abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022. Embora tenha sido absolvido em primeira instância pelo TRE-RJ, o Ministério Público Eleitoral recorreu.

O julgamento no TSE tem avançado rapidamente, com ministros votando pela cassação do mandato e dos direitos políticos de Castro. A decisão final, que pode impedir sua candidatura ao Senado, está prevista para os próximos dias, após pedido de vista de um dos ministros.

Se o TSE decidir pela inelegibilidade de Castro, isso impacta diretamente o Partido Liberal (PL), que perderia seu principal nome para o Senado no Rio e teria seus planos para a sucessão estadual desarrumados. O PL afirma confiar na elegibilidade de Castro e não ter um “plano B”, mas a situação jurídica é delicada.

Crivella e Pimentel despontam como alternativas

Marcelo Crivella, que tem se alinhado cada vez mais com as pautas do ex-presidente Jair Bolsonaro, demonstra intenção de concorrer ao Senado, mesmo que isso signifique disputar votos com Castro. Apesar de o partido Republicanos desejar que ele seja candidato a deputado federal para impulsionar votos, Crivella assegura sua candidatura à Casa Alta.

Por outro lado, Rodrigo Pimentel, conhecido por sua atuação no BOPE e por inspirar o personagem Capitão Nascimento, foi sondado por partidos como o Novo. Embora sua assessoria tenha confirmado o contato, Pimentel não é filiado a nenhuma legenda e, até o momento, não sinalizou com clareza sua intenção de se candidatar.

A pesquisa do Real Time Big Data ouviu 2.000 eleitores entre os dias 9 e 10 de março, com margem de erro de dois pontos percentuais. O levantamento está registrado no TSE sob o número BR-04367/2026.

Estratégia da direita e o controle do Senado

Para o grupo político do ex-presidente Jair Bolsonaro, garantir uma maioria no Senado é uma estratégia fundamental, tão importante quanto buscar a presidência em 2026. Das 81 vagas no Senado, 54 estarão em disputa nas próximas eleições, representando dois terços da Casa.

No Rio de Janeiro, as vagas de Flávio Bolsonaro e Carlos Portinho estarão em jogo. Atualmente, os três representantes do estado no Senado são do PL, mas a possível saída de Castro pode alterar esse cenário. A disputa pelo Senado é vista como crucial para a oposição consolidar sua força política.

O futuro de Cláudio Castro e a sucessão estadual

A indefinição sobre a candidatura de Cláudio Castro também afeta os planos para a sucessão do governo do estado. O nome cogitado pelo PL é Douglas Ruas, atual secretário estadual de Cidades. Ruas teria a oportunidade de se destacar em uma eventual eleição indireta caso Castro renuncie para concorrer ao Senado.

No entanto, fontes indicam que Castro pode optar por permanecer no cargo até a decisão final do TSE, o que reduziria o tempo de exposição de Ruas. Essa decisão pode ser anunciada em breve, após reuniões do governador com lideranças de seu partido e aliados. A situação é acompanhada de perto por Eduardo Paes (PSD), principal adversário político no estado.

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