Temer descarta candidatura e propõe renovação na política, sugerindo que Lula também ceda espaço para novas lideranças.

Em declaração que repercutiu no cenário político nacional, o ex-presidente Michel Temer (MDB) afirmou categoricamente que não pretende disputar a Presidência da República em futuras eleições. Aos 85 anos, Temer justifica sua decisão pela necessidade de **renovação geracional** na política brasileira, defendendo que o país precisa de novas lideranças para superar o clima de tensão institucional.

A possibilidade de Temer retornar à disputa presidencial surgiu após declarações de Carlos Marun, seu aliado, que cogitou convencê-lo a concorrer para quebrar a polarização atual. No entanto, o ex-presidente foi enfático: “De jeito nenhum. Se tivesse dez anos a menos eu até aceitaria o desafio”, disse em entrevista.

Temer também direcionou suas críticas ao atual governo, apontando uma **”completa disfuncionalidade institucional”**. Segundo ele, essa situação decorre do distanciamento entre os Três Poderes em relação aos princípios constitucionais, resultando em confrontos permanentes e na ausência de diálogo.

A busca pela pacificação e o papel da Constituição

O ex-chefe do Executivo ressaltou que o preâmbulo da Constituição Federal já estabelece o compromisso com a “solução pacífica das controvérsias”, um princípio que, em sua visão, tem sido deixado de lado. A lógica predominante, lamenta Temer, tornou-se o **conflito constante**, onde divergências são tratadas com hostilidade, impedindo a construção de consensos essenciais para o avanço democrático.

“A oposição é essencial, mas o ódio pessoal é, além de dispensável, nocivo porque impede a construção de consensos em meio ao dissenso, que é o cerne da política, condutora dos atos e, sobretudo, dos avanços no estado de direito”, pontuou o ex-presidente.

Críticas à oposição e a defesa de princípios constitucionais

Temer criticou a postura de alguns setores da oposição, que adotam uma estratégia baseada no **confronto permanente**, contribuindo para a paralisia política e o mau funcionamento das instituições. Ele acredita que o país só superará esse cenário com um presidente capaz de **reunir forças divergentes** em torno de um projeto comum.

Para Temer, a solução para o impasse político reside no retorno à **essência da Constituição Federal**. Ele citou especificamente o artigo 1º, que trata da autonomia e harmonia entre os Poderes, e o artigo 37, que estabelece os princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, transparência e eficiência para os agentes públicos. “Aí temos uma receita simples e infalível”, concluiu, defendendo a adoção desses princípios para reduzir tensões e recuperar a estabilidade institucional.

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