BRB propõe emissão de ações para reforçar capital social e superar perdas recentes
O Conselho de Administração do Banco de Brasília (BRB) reunirá seus acionistas nesta quarta-feira, 18, para deliberar sobre um plano ambicioso de aumento de capital social da instituição. A proposta visa emitir até 1,67 bilhão de ações ordinárias, com o objetivo de captar recursos no mercado e fortalecer a solidez financeira do banco.
Essa movimentação ocorre em um momento crucial para o BRB, que busca recompor seu patrimônio após transações mal-sucedidas envolvendo o Banco Master. A assembleia é vista como um passo fundamental para garantir a sustentabilidade e a credibilidade da instituição no mercado financeiro.
O plano apresentado aos acionistas, incluindo o governo do Distrito Federal como acionista controlador, prevê um reforço significativo no capital social. A emissão de novas ações pode elevar o capital do BRB de R$ 2,34 bilhões para até R$ 11,2 bilhões, um aumento expressivo que visa garantir a capacidade de crédito e a confiança dos investidores. Conforme apurou o g1, todo esse plano ainda precisa ser aprovado pelos investidores do banco.
Imóveis do DF como garantia para empréstimo e reforço patrimonial
A estratégia do BRB para reforçar seu capital social envolve também a possibilidade de utilizar imóveis públicos do Distrito Federal como garantia para a contratação de um empréstimo. Essa medida foi autorizada pela Câmara Legislativa do DF, que aprovou um projeto permitindo ao governo incorporar nove imóveis ao seu patrimônio, vendê-los ao setor privado ou usá-los como colateral para obter até R$ 6,6 bilhões.
O valor desse potencial empréstimo foi indicado pelo governo como necessário para recompor o patrimônio do BRB, impactado negativamente por transações passadas. A utilização desses imóveis, que incluem propriedades da Caesb, CEB, Novacap, a sede do Centro Administrativo do DF e áreas da Terracap, visa oferecer garantias mais robustas ao banco.
O empréstimo, que pode inclusive ser tomado junto ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC), é uma das hipóteses citadas pelo BRB em seu plano “preventivo” entregue ao Banco Central. Se concretizado, esses recursos auxiliarão o BRB a melhorar seu perfil de ativos, reduzindo riscos e evitando desconfianças no mercado, o que é crucial para a sua credibilidade.
Expectativa de capitalização e riscos envolvidos
Com a garantia oferecida pelos imóveis do governo do DF, o BRB espera captar recursos em condições mais favoráveis, como juros menores, para fortalecer seu balanço patrimonial. O objetivo é manter o banco sólido e confiável, especialmente após as dificuldades enfrentadas com a aquisição do Banco Master.
No entanto, o plano também apresenta riscos. Caso o BRB e o governo do DF não consigam honrar o empréstimo no futuro, eles poderão ser obrigados a alienar, ou seja, vender, os imóveis utilizados como garantia para quitar o compromisso assumido. A avaliação técnica independente desses ativos, ainda a ser realizada, definirá seu valor de mercado.
BRB busca estabilidade e reafirma compromisso com o desenvolvimento do DF
O BRB informou que os imóveis incluídos no projeto de lei ainda serão submetidos a uma avaliação técnica independente. O banco ressaltou que a capitalização não se dará pela transferência direta dos imóveis, mas por meio de estruturas financeiras que permitam sua monetização, um modelo em análise junto ao Banco Central.
Além dessas opções, o banco avalia outras estratégias para reforçar seu patrimônio e preservar sua capacidade de crédito, sempre em conformidade com as exigências regulatórias e a necessidade de estabilidade financeira. Essas opções integram um plano de capital encaminhado ao BC em fevereiro, que também considera soluções de mercado, como a venda de ativos, e empréstimos via consórcio de bancos ou diretamente do FGC.
O BRB reafirmou seu compromisso com práticas de governança robustas, transparência e a busca por soluções sustentáveis para assegurar sua solidez e seu papel estratégico no desenvolvimento econômico e social do Distrito Federal, atuando em áreas essenciais como políticas sociais, mobilidade e distribuição de benefícios.