Operação Indébito Revela Suposta Rede de Corrupção no INSS Envolvendo Deputada e Ex-Presidente do Órgão
A deputada federal Gorete Pereira (MDB-CE) é o centro de uma nova fase da Operação Indébito, deflagrada pela Polícia Federal. A investigação aponta que a parlamentar teria mantido contato direto com autoridades do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), incluindo o ex-presidente Alessandro Stefanutto, para obter vantagens ilícitas.
As suspeitas recaem sobre a atuação de Gorete Pereira como articuladora política em um esquema de fraudes que afetava aposentados e pensionistas. A operação cumpriu mandados de busca e apreensão, prisões e monitoramento com tornozeleira eletrônica no Ceará e no Distrito Federal.
Conforme despacho do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), há indícios de que a deputada, mediante pagamento de propina a Stefanutto, viabilizava o credenciamento e ativação de entidades associativas de aposentados com as quais tinha relação. As informações foram obtidas com base em investigação conduzida pela Polícia Federal e pela Controladoria-Geral da União (CGU).
Deputada Nega Irregularidades e Defende Integridade
Em sua defesa, a deputada Gorete Pereira negou veementemente ter praticado qualquer ato ilícito, afirmando que as informações da investigação não condizem com a realidade. Ela ressaltou sua trajetória pública de mais de 40 anos, sempre pautada pela integridade, e demonstrou confiança no devido processo legal, reafirmando seu compromisso com a legalidade e a transparência.
A defesa da parlamentar informou que está analisando o teor da decisão e que se manifestará oportunamente após uma análise detalhada do caso. O advogado Waldir Xavier acompanhará o processo.
Ex-Presidente do INSS Afirma Desconhecer Propina e Nega Contato com Deputada
A defesa de Alessandro Stefanutto, ex-presidente do INSS demitido após a primeira fase da Operação Sem Desconto, classificou as informações que o vinculam a supostas irregularidades como inverídicas. Segundo a defesa, Stefanutto jamais procurou a deputada Gorete Pereira.
O contato, segundo a defesa, ocorreu por iniciativa da própria parlamentar, que buscou a Presidência do INSS para tratar de um tema institucional relacionado ao Acordo de Cooperação Técnica (ACT) da entidade CENAP.ASA. Stefanutto, na condição de gestor público, recebia parlamentares e representantes institucionais rotineiramente.
A defesa de Stefanutto enfatiza que esse contato não interferiu em nenhum processo de fiscalização. Pelo contrário, a gestão adotou medidas de controle que culminaram na rescisão do ACT da entidade em questão, formalizada antes da deflagração da operação.
Detalhes da Investigação Apontam Para Pagamentos Expressivos e Operadores do Esquema
A investigação da Polícia Federal aponta que o nome de Gorete Pereira surgiu vinculado a entidades suspeitas de aplicar descontos irregulares em aposentadorias e pensões. O ministro André Mendonça destacou em seu despacho a gravidade das apurações, que demonstram o recebimento pela deputada de quantias expressivas em dinheiro e o contato direto com autoridades do INSS envolvidas no esquema.
Alessandro Stefanutto foi demitido do INSS por decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, após a primeira fase da Operação Sem Desconto. Na época, sua defesa contestou a prisão, classificando-a como completamente ilegal.
A operação também resultou na prisão do empresário Natjo de Lima Pinheiro e da advogada Cecília Rodrigues Mota, ex-presidente de associações de aposentados. Segundo Mendonça, Cecília Rodrigues teve atuação central na operacionalização de filiações fraudulentas, descontos indevidos e ocultação patrimonial. Extratos bancários indicam que cerca de R$ 4 milhões foram repassados a Stefanutto entre abril de 2024 e janeiro de 2025, a partir de contas ligadas a Cecília Rodrigues Mota.
Outras Figuras e Entidades Sob Investigação
Natjo de Lima Pinheiro é apontado como um dos líderes da organização, responsável pela coordenação financeira e divisão de valores. A investigação sugere que ele utilizava empresas de fachada para movimentar recursos, simulava prestações de serviços inexistentes e adquiria bens com dinheiro ilícito.
O diretor de Relacionamento e Negócios da Dataprev, Alan Santos, também foi alvo de mandados de busca e apreensão. Ele é suspeito de facilitar autorizações para transações envolvendo beneficiários do INSS e teria se reunido com Antônio Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, apontado como principal operador do esquema. Alan Santos também teria tido contato com Stefanutto para agilizar a ativação de entidades envolvidas no esquema.
A Polícia Federal informou que a operação busca esclarecer crimes como inserção de dados falsos em sistemas oficiais, constituição de organização criminosa, estelionato previdenciário e atos de ocultação e dilapidação patrimonial. Durante as diligências, foram apreendidos carros de luxo, grandes quantias em dinheiro e equipamentos eletrônicos.