Haddad deixa a Fazenda: um balanço com avanços e preocupações fiscais

Fernando Haddad encerra sua trajetória no Ministério da Fazenda com um cenário econômico de contrastes. Enquanto indicadores como o Produto Interno Bruto (PIB) e o mercado de trabalho apresentaram resultados positivos, superando as expectativas iniciais, as contas públicas seguem sob o olhar atento de economistas e do mercado financeiro.

A gestão de Haddad foi marcada por uma relação de altos e baixos com o mercado, com o ministro buscando equilibrar a necessidade de controle de gastos com as demandas do governo. A aprovação do arcabouço fiscal foi um ponto positivo, mas o déficit público e as mudanças nas metas fiscais geraram incertezas.

Apesar dos esforços para conter despesas, especialistas apontam que a dificuldade em avançar em reformas estruturais e o aumento da dívida bruta em relação ao PIB são pontos de atenção. Conforme informações divulgadas pelo g1, a dívida bruta do governo em relação ao PIB subiu cerca de sete pontos percentuais, atingindo 78,66%.

Arcabouço fiscal e o desafio do controle de gastos

Um dos marcos da gestão de Haddad foi a aprovação do arcabouço fiscal em 2023, um passo importante para sinalizar compromisso com a responsabilidade fiscal. No entanto, o resultado fiscal daquele ano, com um déficit de R$ 249 bilhões, pesou na avaliação do mercado. Felipe Salto, economista-chefe da Warren Investimentos, ressalta que, embora Haddad tenha herdado despesas, ele também tem responsabilidade pelo aumento dos gastos.

No ano seguinte, o déficit caiu significativamente para R$ 47,6 bilhões. Contudo, problemas orçamentários e a autorização de despesas fora da meta fiscal voltaram a abalar a confiança do mercado. A redução das metas de superávit primário para os anos seguintes, proposta em abril de 2024, foi duramente criticada por abrir espaço para aumento de gastos públicos.

Reforma tributária e o impacto na arrecadação

Apesar das dificuldades em controlar despesas, Haddad é reconhecido pela aprovação da reforma tributária, um avanço após décadas de discussões. A reforma, aprovada em dezembro de 2023, introduziu um imposto sobre valor agregado (IVA), definiu uma cesta básica nacional isenta de tributos e criou o Imposto Seletivo. Alessandra Ribeiro, da Tendências, destaca que a reforma é extremamente difícil e, embora ainda não seja o modelo ideal, deve gerar efeitos positivos a longo prazo.

Para complementar a reforma, especialistas apontam a necessidade de avançar na tributação da renda e na revisão de despesas e desonerações. Nelson Marconi, coordenador de administração pública da FGV, considera que a taxa de 10% sobre a renda dos mais ricos é um passo, mas insuficiente.

PIB acima do esperado e inflação sob controle

A gestão Haddad também foi marcada por resultados econômicos melhores do que o previsto. O PIB cresceu acima das projeções do mercado em todos os anos. Em 2025, o PIB do Brasil registrou crescimento de 2,3%, segundo o IBGE, marcando o quinto ano consecutivo de expansão econômica, apesar da desaceleração em relação ao ano anterior. A inflação, por sua vez, ficou dentro do intervalo de tolerância da meta em dois dos três anos, em grande parte devido à política monetária restritiva do Banco Central.

O rigor do Banco Central em manter os juros elevados, mesmo diante de pressões do governo federal, foi fundamental para manter a inflação controlada. A expectativa é de que as expectativas inflacionárias continuem em níveis mais baixos, sem descontrole da inflação. A dívida bruta do governo em relação ao PIB subiu cerca de sete pontos percentuais.

Mercado de trabalho aquecido e renda em alta

Os especialistas consultados pelo g1 também destacam os bons resultados do mercado de trabalho e da renda como parte do legado de Haddad. A taxa média de desemprego no Brasil ficou em 5,6% em 2025, o menor nível da série histórica iniciada em 2012, segundo o IBGE. O rendimento médio real das pessoas ocupadas teve uma alta de 5,7% em relação a 2024, alcançando R$ 3.560.

Esses indicadores positivos no mercado de trabalho e na renda são reflexo do crescimento econômico e ficaram melhores do que o mercado previa. O cenário de emprego está realmente muito positivo, segundo Alessandra Ribeiro, da Tendências. No entanto, a dívida bruta do governo em relação ao PIB subiu cerca de sete pontos percentuais desde o início do mandato de Haddad.

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