Deputada Gorete Pereira é monitorada por tornozeleira eletrônica em operação da PF contra fraudes no INSS
A deputada federal Gorete Pereira (MDB-CE) passou a usar tornozeleira eletrônica após ser alvo de mandados da Polícia Federal na Operação Indébito. A ação investiga um esquema de fraude bilionário que lesou aposentados e pensionistas do INSS.
A operação é um desdobramento da Operação Sem Desconto, deflagrada no ano passado, e aponta para uma fraude estimada em R$ 6,3 bilhões. A Polícia Federal e auditores da Controladoria-Geral da União (CGU) cumpriram mandados de prisão, busca e apreensão no Ceará e no Distrito Federal, com autorização do STF.
Segundo o ministro André Mendonça, do STF, há elementos de que a deputada teria atuado como articuladora política junto a órgãos públicos e recebido valores por meio de pessoas interpostas. A parlamentar nega as acusações, afirmando que as informações da investigação não refletem a realidade dos fatos.
Gorete Pereira é suspeita de articular o esquema e receber valores indevidos
O nome de Gorete Pereira surgiu nas investigações ligado a uma das entidades suspeitas de realizar descontos associativos irregulares em aposentadorias e pensões. A Polícia Federal suspeita que a parlamentar tenha recebido uma procuração com poderes para firmar acordos de cooperação com o INSS, facilitando o esquema.
O ministro André Mendonça destacou em seu despacho que há indícios do recebimento de quantias expressivas pela deputada e contato direto com autoridades do INSS envolvidas no esquema. A parlamentar teria inclusive mantido contato com o ex-presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, demitido após a primeira fase da operação.
Outras prisões e investigações em andamento
Além da deputada, foram presos o empresário Natjo de Lima Pinheiro e a advogada Cecília Rodrigues Mota, ex-presidente de associações de aposentados. Cecília é apontada como central na operacionalização das filiações fraudulentas e ocultação patrimonial, enquanto Natjo é considerado um dos líderes financeiros do esquema.
A operação também cumpriu mandados de busca e apreensão contra Alan Santos, diretor da Dataprev. Ele é suspeito de facilitar autorizações para as associações realizarem transações indevidas contra beneficiários do INSS e teria se encontrado com Antônio Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, principal operador do esquema.
Fraude bilionária no INSS afetou milhões de aposentados
As investigações que levaram à Operação Sem Desconto começaram em 2024 e ganharam força em 2025, com a descoberta de um esquema nacional de descontos associativos não autorizados em aposentadorias e pensões. A estimativa é de uma fraude de R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024.
A Polícia Federal informou que foram apreendidos carros de luxo, dinheiro e aparelhos eletrônicos. Os crimes investigados incluem inserção de dados falsos, constituição de organização criminosa, estelionato previdenciário e ocultação patrimonial.
Posicionamentos oficiais
Em nota, a deputada Gorete Pereira reiterou sua inocência e confiança no devido processo legal. Sua defesa está analisando o caso. O Dataprev informou que tomou conhecimento da medida contra Alan Santos pela imprensa e que colaborará com as investigações, fornecendo todas as informações solicitadas.
A parlamentar, que já havia negado envolvimento em maio do ano passado, reafirma seu compromisso com a legalidade e a transparência. A defesa da deputada, representada pelo advogado Dr. Waldir Xavier, se manifestará oportunamente.