Governo dos EUA Impõe Caução de US$ 15.000 para Vistos de Negócios e Turismo de Cidadãos de 50 Países
O governo dos Estados Unidos, sob a administração Trump, anunciou uma nova e rigorosa exigência para a obtenção de vistos de negócios e turismo. Cidadãos de 50 países específicos agora precisarão depositar uma caução de US$ 15.000, o equivalente a aproximadamente R$ 78.000, para ter suas solicitações de visto aprovadas.
Esta medida, divulgada oficialmente pelo Departamento de Estado americano em suas redes sociais, tem como principal objetivo declarado a prevenção da “permanência ilegal” de estrangeiros nos Estados Unidos após o vencimento de seus vistos. A caução será devolvida aos viajantes que cumprirem todas as condições do visto e retornarem ao seu país de origem dentro do prazo estabelecido.
A notícia foi inicialmente reportada pela agência Reuters, citando um funcionário do Departamento de Estado que preferiu manter o anonimato. Segundo o oficial, o programa de fiança, que entra em vigor em 2 de abril, faz parte de uma série de alterações nas políticas de imigração promovidas pela administração Trump desde o início de seu mandato. O Brasil, importante notar, não está incluído nesta lista de países afetados pela nova exigência, conforme informação divulgada pelo Departamento de Estado dos EUA.
Novas Regras e Países Afetados pela Exigência de Caução
A exigência da caução de até US$ 15.000 para vistos de turismo e negócios foi anunciada inicialmente em agosto de 2025 e atinge diretamente os vistos B-1, voltado para transações comerciais, e B-2, destinado a turismo e tratamento médico. Em janeiro deste ano, a lista de países sob essa nova regra foi ampliada, incluindo nações que participam da Copa do Mundo, realizada conjuntamente nos EUA, Canadá e México.
Na quarta-feira, mais 12 países foram adicionados ao programa. Entre eles estão Camboja, Etiópia, Geórgia, Granada, Lesoto, Maurícias, Moçambique, Mongólia, Nicarágua, Papua Nova Guiné, Seicheles e Tunísia. Estes se somam aos 38 países que já enfrentavam a medida, a maioria deles localizada no continente africano, como Argélia, Angola, Benim, Burundi, e também países como Bangladesh, Cuba, Fiji, Nepal, Nigéria, Filipinas, Venezuela, Zâmbia e Zimbábue.
Endurecimento das Políticas de Imigração nos EUA
Desde o início de seu governo, Donald Trump tem implementado uma série de mudanças significativas nas regras de entrada nos Estados Unidos. Essas alterações incluem o aumento de custos para determinados vistos, a imposição de maior burocracia, a ampliação da vigilância sobre os visitantes e, em alguns casos, a suspensão direta da emissão de vistos. Essas ações refletem uma postura mais restritiva em relação à imigração.
Um exemplo notório foi o anúncio em setembro de 2025 de uma nova taxa de US$ 100.000 para o visto de trabalho qualificado H-1B. Essa medida, que entrou em vigor a partir de 21 de setembro de 2025, representa um aumento expressivo no custo e tem como objetivo, segundo a Casa Branca, priorizar a contratação de trabalhadores americanos, embora especialistas alertem que pode afastar talentos estrangeiros.
Outras Medidas de Controle e Segurança na Imigração
Além da exigência de caução para vistos de turismo e negócios, a administração Trump também implementou outras políticas de controle. Desde junho de 2025, candidatos a vistos de estudante são obrigados a manter seus perfis em redes sociais abertos para análise das autoridades, buscando identificar “qualquer indício de hostilidade” contra os EUA. Há também planos para estender essa exigência a turistas de países isentos de visto.
Outras mudanças incluem a obrigatoriedade de entrevistas presenciais para menores de 14 anos e maiores de 79 anos, a revogação de mais de 100.000 vistos desde o início do segundo mandato e a proibição de entrada nos EUA para cidadãos de 19 países, a maioria da África, alegando preocupações de segurança nacional e combate ao terrorismo.
O Programa “Gold Card” para Imigrantes Ricos
Em contrapartida ao endurecimento das políticas de visto, o governo Trump lançou em dezembro de 2025 o programa “Gold Card”. Esta iniciativa concede residência permanente a estrangeiros mediante um investimento significativo de US$ 1 milhão para indivíduos ou US$ 2 milhões para empresas que desejam obter residência para seus funcionários. O processo também inclui uma taxa inicial não reembolsável de US$ 15.000.
Segundo Howard Lutnick, secretário de Comércio, cerca de 10.000 pessoas já se inscreveram durante o período de pré-registro. Esta política visa atrair capital estrangeiro e talentos específicos, enquanto outras medidas buscam controlar e restringir a entrada de determinados grupos de viajantes e trabalhadores.