Davi Alcolumbre nega veementemente ter negociado com Valdemar Costa Neto sobre CPI do Master e veto da dosimetria, classificando acusações como mentiras patológicas.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), expressou nesta quarta-feira (18) um forte repúdio às declarações do presidente do PL, Valdemar Costa Neto. Alcolumbre rebateu as acusações de que teria articulado um acordo para barrar a CPI do Banco Master em troca da derrubada do veto ao projeto da dosimetria.
De forma contundente, Alcolumbre declarou ter ficado “estarrecido” com as falas de Valdemar e chegou a comparar o comportamento do dirigente do PL ao de um “mitômano”, termo usado para descrever pessoas com compulsão patológica por mentir. A tensão política aumenta com a troca de farpas entre os líderes partidários.
“Estamos vivendo tantas agressões e, nesse caso, tantas mentiras que estou impossibilitado de a todo instante responder ataques de pessoas que se acham no direito de inventar qualquer coisa”, afirmou o senador logo no início da sessão. Conforme reportado pelas fontes, a declaração de Alcolumbre marca um novo capítulo na polarização política.
Alcolumbre classifica Valdemar como “mitômano” e nega tratativas
O presidente do Senado foi enfático ao afirmar que jamais discutiu qualquer assunto relacionado à CPI do Banco Master ou à votação de vetos presidenciais, como o da dosimetria, com Valdemar Costa Neto. “Eu nunca, absolutamente nunca, tratei com Valdemar Costa Neto em relação a este assunto da sessão do Congresso, da votação dos vetos da dosimetria — manutenção ou derrubada — ou sobre a CPI do Banco Master”, declarou Alcolumbre.
A reação de Alcolumbre ocorreu após o senador Eduardo Girão (Novo-CE) questionar sobre a previsão para a análise do veto ao projeto da dosimetria. A questão adicionou um tempero de urgência ao debate sobre as articulações políticas nos bastidores do Congresso Nacional.
Valdemar Costa Neto alegou acordo para barrar CPI do Master
No início de outubro, Valdemar Costa Neto havia afirmado que Davi Alcolumbre estaria entre os apoiadores de uma proposta de acordo oferecida à oposição. Segundo o presidente do PL, a articulação envolvia a derrubada do veto do presidente Lula (PT) ao projeto que reduz as penas de envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023, com o objetivo de enterrar a CPI do Master.
Em entrevista ao programa Canal Livre, da TV Bandeirantes, Valdemar disse: “Eu tive uma proposta essa semana, mas eu não tenho como fazer. Eu falei com o [senador] Rogério Marinho: eles querem votar a dosimetria desde que não façam a CPI do Banco Master no Senado”. O vídeo da entrevista voltou a circular nos últimos dias, reacendendo a polêmica.
Projeto da dosimetria e a CPI do Banco Master em foco
O projeto de lei da dosimetria, aprovado em dezembro do ano passado, foi integralmente vetado pelo presidente Lula. O veto ocorreu durante um evento que marcou os três anos da invasão e depredação das sedes dos Três Poderes. O texto, além de reduzir penas para envolvidos nos atos de 8 de janeiro, também beneficia condenados pela suposta tentativa de golpe de Estado, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Valdemar Costa Neto, na ocasião da entrevista, também comentou sobre a resistência em instalar a comissão no Senado, sugerindo que a investigação poderia atingir “meio mundo”. A CPI do Banco Master tem gerado grande expectativa e debate sobre seus desdobramentos e possíveis alvos.