Expresso Rei de França continua paralisado em São Luís, mesmo após fim da greve geral dos rodoviários

A população de São Luís enfrenta dificuldades contínuas no transporte público, com a greve dos rodoviários da Expresso Rei de França, antiga 1001, mantendo 100% da frota parada. A paralisação, que já dura dias, afeta cerca de 15 linhas de ônibus, impactando os sistemas urbano e semiurbano da Grande São Luís.

Os trabalhadores exigem o pagamento de salários e benefícios atrasados, além da quitação de rescisões de funcionários demitidos. A situação se arrasta desde novembro do ano passado, com recorrentes paralisações por atrasos salariais.

Enquanto as linhas metropolitanas e a maior parte do sistema urbano já voltaram a operar após acordo mediado pela Justiça do Trabalho e Ministério Público do Maranhão, a Expresso Rei de França segue sem circulação. Acompanhe os detalhes desta crise que afeta milhares de passageiros.

Reivindicações e o acordo que não contemplou a Expresso Rei de França

A greve dos rodoviários do sistema urbano de São Luís foi encerrada no último dia 30 de janeiro, após determinação da Justiça do Trabalho e negociações com o Ministério Público do Maranhão (MP-MA), empresários e a Prefeitura. O acordo garantiu um aumento salarial de 5,5% para a categoria e o pagamento dos salários atrasados até a última terça-feira, 10 de fevereiro. O Sindicato dos Rodoviários do Maranhão (STTREMA) informou que o reajuste representa cerca de R$ 151 no salário e mais de R$ 49 no tíquete-alimentação, elevando a média salarial para aproximadamente R$ 2.900 brutos, além de R$ 900 de vale-alimentação, mantendo outros benefícios como plano de saúde e odontológico.

No entanto, os rodoviários da Expresso Rei de França afirmam que o acordo não atendeu às suas demandas específicas, que incluem o pagamento integral dos salários e benefícios atrasados, além das rescisões de demitidos. A empresa, por sua vez, alega que a crise se deve ao não repasse do subsídio devido pela Prefeitura de São Luís, recurso que, segundo a direção, é essencial para a operação do transporte público.

Impacto na população e o futuro incerto do transporte em São Luís

A paralisação da Expresso Rei de França afeta diretamente bairros como Ipem Turu, Parque Vitória, Ribeira, Vila Isabel Cafeteira, Pedra Caída, Recanto Verde e Forquilha. A falta de ônibus compromete o deslocamento diário de milhares de pessoas, gerando transtornos e prejuízos.

A direção da Expresso Rei de França informou que, após diálogo com os funcionários, acordou um prazo de 72 horas para regularizar as pendências. A empresa espera um posicionamento formal da Prefeitura de São Luís sobre a regularização do subsídio em atraso. Caso não haja manifestação dentro do prazo, a empresa e os trabalhadores se reunirão para avaliar o cenário e deliberar sobre o futuro da operação.

Justiça e Prefeitura em lados opostos na questão dos subsídios

Em uma decisão recente, a Justiça do Maranhão negou o pedido do Ministério Público para aumentar o subsídio pago pela Prefeitura de São Luís ao transporte coletivo urbano. O MP argumentava que o valor atual de R$ 1,35 por passageiro é insuficiente e solicitou um aumento imediato para R$ 2,15 a partir de fevereiro de 2026. O juiz responsável entendeu que a concessão do pedido poderia comprometer as finanças municipais.

O Ministério Público também apontou problemas estruturais recorrentes no sistema de transporte de São Luís, com paralisações frequentes e dificuldades na gestão municipal. A Prefeitura, por outro lado, afirma que o retorno dos ônibus depende exclusivamente dos trabalhadores, uma vez que a decisão judicial já foi tomada.

Medidas judiciais e o descumprimento do acordo coletivo

O Tribunal Regional do Trabalho da 16ª Região (TRT-16) informou que adotaria medidas de bloqueio de bens contra as empresas de ônibus do sistema urbano por descumprimento do acordo coletivo que pôs fim à greve. Rodoviários encontraram os portões das garagens das empresas fechados, o que configurou o descumprimento da ordem judicial. Uma multa de R$ 200 mil seria aplicada a cada empresa infratora, podendo ser estendida aos sócios e ao Sindicato das Empresas de Transporte (SET).

Apesar do acordo geral ter sido selado com a aplicação de reajuste salarial e a garantia de pagamento, a situação da Expresso Rei de França demonstra a complexidade e as persistentes divergências entre trabalhadores, empresas e o poder público na busca por um transporte público eficiente e justo em São Luís.

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