Ratinho Junior desiste da corrida presidencial, PSD reconfigura estratégia e pressiona nomes para 2026
A decisão do governador do Paraná, Ratinho Junior (PSD), de abandonar a corrida presidencial em 2026 altera significativamente o cenário político nacional. A saída do governador redesenha o equilíbrio da chamada “terceira via”, forçando o PSD a concentrar suas apostas em outros dois nomes com apelos distintos: Ronaldo Caiado, governador de Goiás, com um discurso mais à direita, e Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul, com uma agenda mais voltada ao centro-esquerda.
Anteriormente, o PSD contava com três governadores com potencial para disputar a presidência. Agora, com a retirada de Ratinho Junior, o partido precisa definir sua estratégia com os dois nomes restantes. Essa reconfiguração pressiona a sigla a decidir qual caminho seguir em um cenário eleitoral ainda em definição, mas com fortes indícios de polarização.
A desistência de Ratinho Junior é interpretada nos bastidores como um movimento estratégico para preservar seu capital político e legado no Paraná, evitando riscos desnecessários em uma disputa presidencial incerta. Conforme informações divulgadas por especialistas políticos, o governador teria percebido um ambiente adverso para sua candidatura nacional e optou por focar na sucessão estadual e na consolidação de sua base política. Essa decisão, segundo Samuel Oliveira, indica que o projeto presidencial ainda não estava maduro o suficiente para justificar a perda de controle sobre sua própria base eleitoral.
Caiado ganha força interna, mas enfrenta desafios na direita tradicional
Com a saída de Ratinho Junior, Ronaldo Caiado emerge como o principal nome do PSD para a disputa presidencial, segundo o cientista político Samuel Oliveira. Caiado, com seu discurso voltado ao combate à criminalidade, pode atrair eleitores da direita mais tradicional. No entanto, especialistas alertam que ele pode enfrentar dificuldades em conquistar o apoio irrestrito dos eleitores bolsonaristas, assim como ocorreu com João Doria em 2022.
A força de Caiado reside em sua conexão com o agronegócio e com o interior do país, especialmente na região Centro-Oeste. Ele pode explorar o momento de tensão entre o setor produtivo e a família Bolsonaro, aproveitando possíveis insatisfações com políticas federais. A articulação de Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, em relação a tarifas de importação e a Lei Magnitsky contra o ministro Alexandre de Moraes, pode ser um ponto a ser explorado.
Eduardo Leite mantém a bandeira do centro e busca viabilizar candidatura
Eduardo Leite se posiciona como a alternativa do PSD para uma candidatura de centro, buscando atrair eleitores moderados e se fortalecer para um eventual segundo turno. Seu perfil é considerado mais palatável para um eleitorado que busca alternativas à polarização.
Apesar disso, a viabilização da pré-candidatura de Leite enfrenta desafios. Uma pesquisa Quaest de março indicou que ele obteve apenas 3% das intenções de voto, ficando atrás de Ratinho Junior (7%) e Ronaldo Caiado (4%). Isso demonstra a dificuldade de Leite em ganhar tração nacional neste momento, necessitando de uma estratégia eficaz para aumentar sua competitividade.
PSD reafirma candidatura própria como estratégia de negociação
Apesar da saída de Ratinho Junior, o PSD, sob a liderança de Gilberto Kassab, reafirmou que terá candidato próprio para a presidência em 2026. A sigla busca apresentar uma “melhor via”, alternativa à polarização atual. Analistas políticos veem essa postura como uma estratégia de negociação, onde a candidatura própria serve para valorizar o partido e aumentar seu poder de barganha no cenário eleitoral.
A expectativa é que o candidato do PSD atue mais como uma peça intermediária em um eventual confronto entre Lula e Flávio Bolsonaro, buscando capturar o eleitorado de centro e centro-direita no primeiro turno. A definição do nome e da estratégia será crucial para o futuro do partido e para o equilíbrio da disputa presidencial de 2026.