Flávio Bolsonaro busca eleitores de centro e mercado com nova estratégia de moderação para 2026

A campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para a presidência em 2026 está traçando uma rota de moderação, visando conquistar eleitores do centro e reduzir a rejeição. A estratégia, que faltam ainda oito meses para o pleito, busca também tranquilizar agentes do mercado financeiro, que demonstram resistência à candidatura do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A ideia é apresentar uma candidatura “menos bélica”, focada em temas que possam dialogar com eleitores indecisos. No entanto, a defesa de seu pai e as críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF) devem permanecer como pilares, atraindo o eleitorado de direita. A aposta principal para ampliar a votação será a crítica à pauta econômica do governo Lula, abordando cortes de gastos, o tamanho do Estado, juros e inflação.

As declarações de Flávio Bolsonaro ecoam pesquisas recentes. Um levantamento do PoderData em janeiro mostrou que a aprovação de Lula é de 34%, com 57% de desaprovação. Na região Nordeste, onde Lula tem forte base eleitoral, a aprovação caiu de 50% em dezembro para 46% em janeiro, com a rejeição subindo de 46% para 45%. Essa tendência de “derretimento” do apoio a Lula no Nordeste, segundo Flávio, consolida a força do bolsonarismo na região.

Equilíbrio fiscal e diálogo com o mercado financeiro

Para atrair o mercado financeiro, Flávio Bolsonaro promete equilibrar as contas públicas caso seja eleito. A principal queixa do setor em relação ao governo Lula é o desequilíbrio fiscal, que pressiona a taxa de juros. A taxa Selic, atualmente em 15%, está no maior patamar desde julho de 2006, impactando o crédito, o consumo e a atividade econômica.

O diálogo com o mercado visa posicionar Flávio como um candidato capaz de resolver questões consideradas técnicas, algo que investidores inicialmente viam no governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. Contudo, Tarcísio já declarou apoio a Flávio e concorrerá à reeleição em São Paulo.

A campanha deve explorar as manobras contábeis do governo petista para maquiar as contas públicas. Dados do Tesouro Nacional apontam um rombo de R$ 61,7 bilhões em 2025, sem considerar exceções que somam R$ 48,7 bilhões, como precatórios e despesas temporárias.

Economia como diferencial e busca por vice de centro

O cientista político Elton Gomes, da UFPI, considera a pauta econômica um dos principais diferenciais da campanha de Flávio Bolsonaro, ao lado de combate à corrupção e segurança pública. Ele ressalta que o debate econômico é historicamente central nas eleições brasileiras e pode ser decisivo para capturar votos fora dos polos ideológicos.

Gomes aponta que a “gestão perdulária do governo atual, com elevado déficit público, juros altos e o retorno da inflação, especialmente nos alimentos, pode ser explorada pela oposição para angariar votos.”

Potenciais vices para ampliar o alcance da candidatura

A escolha do vice na chapa de Flávio Bolsonaro também segue a linha de atrair o centro. Embora o senador evite o tema publicamente, a avaliação é que um vice com perfil moderado pode ampliar o alcance da candidatura. Nomes como Ratinho Júnior (PSD), Romeu Zema (Novo) e Tereza Cristina (PP-MS) estão em análise.

Tereza Cristina, ligada ao agronegócio, poderia atrair o eleitorado feminino. Romeu Zema, que concorre à reeleição em Minas Gerais, estado considerado “pêndulo” nas eleições presidenciais, é visto como peça-chave. O apoio de Ratinho Júnior e do PSD, partido com grande número de prefeituras conquistadas em 2024, também são considerados ativos importantes.

Gomes destaca que vices de centro historicamente funcionaram bem no Brasil, como José Alencar e Michel Temer, oferecendo capilaridade partidária e acesso a recursos. Ele também sugere que a escolha de um vice militar, como ocorreu com Bolsonaro em 2022, pode ter sido uma fragilidade, e Flávio pode aprender com esse erro.

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