TCU investiga se governo Ibaneis usou órgão de controle para forçar aprovação da compra do Banco Master pelo BRB

Uma auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) levantou suspeitas sobre a atuação do governo do Distrito Federal, liderado pelo governador Ibaneis Rocha (MDB), em relação à tentativa de aquisição do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB).

A área técnica do TCU recomendou uma investigação detalhada sobre o caso, apontando indícios de que a gestão distrital teria acionado a Corte de Contas com o objetivo de pressionar o Banco Central a aprovar a operação.

Em resposta, o Governo do Distrito Federal (GDF) negou veementemente as acusações, afirmando que o acionamento do TCU ocorreu dentro do exercício legítimo do direito de petição do Estado e que não houve violação aos princípios da administração pública. As informações são da Gazeta do Povo.

Relatório do TCU aponta “falta de diligência” e “gestão temerária”

O relatório da auditoria, realizado pela Unidade de Auditoria Especializada em Bancos Públicos e Reguladores Financeiros (AudBancos) do TCU, foi divulgado nesta terça-feira (24). Os técnicos concluíram que a conduta dos gestores do BRB e do GDF, como controlador do banco, demonstrou indícios de “falta de diligência” e potencial “gestão temerária”.

Os auditores sustentam que o governo distrital teria tentado utilizar o TCU como uma “instância recursal” para reverter a decisão do Banco Central, que indeferiu tecnicamente a compra. Essa tentativa de pressionar o regulador para aprovar uma operação que expunha o BRB a riscos desproporcionais, segundo os auditores, “merece reprovação no âmbito do controle externo”.

O documento afirma que “o Distrito Federal, na condição de controlador do BRB, buscou acionar o TCU como instância recursal ao Banco Central, numa tentativa de reverter o indeferimento da operação, desconsiderando as deficiências apontadas pelo órgão regulador”.

GDF alega “direito de petição” e defesa do patrimônio do BRB

Em nota, o Governo do Distrito Federal declarou que “rechaça veementemente qualquer alegação de que tenha atuado para pressionar o Banco Central do Brasil (BC)”. A gestão de Ibaneis enfatizou que o “acionamento do TCU se deu no estrito e legítimo exercício do direito de petição do Estado”.

O comunicado oficial do GDF ressaltou que o objetivo das medidas cautelares solicitadas foi “única e exclusivamente resguardar o patrimônio do BRB”. Conforme o governo, a demora nas análises regulatórias por parte do Banco Central gerava “instabilidade, riscos à imagem institucional e depreciação do valor de mercado do banco estatal”.

O GDF também destacou que o BRB possui “governança corporativa robusta” e atua com “independência em suas decisões de mercado”. As tratativas comerciais avaliadas, segundo o governo, faziam parte de um “processo regular de estruturação de negócios”.

Detalhes da operação e encaminhamentos do TCU

A auditoria do TCU revelou que o BRB, controlado em 96% pelo Distrito Federal, continuou as negociações pelo Banco Master mesmo após o Banco Central identificar indícios de fraudes e ativos inexistentes em carteiras de crédito anteriormente vendidas pelo Master ao BRB.

O relatório aponta que a Lei Distrital 1.882/2025, sancionada por Ibaneis, visava destravar a operação, que envolveria um pagamento estimado de R$ 2 bilhões ao controlador do Master, Daniel Vorcaro. Os auditores destacaram que o BRB aceitou negociar R$ 11,9 bilhões em ativos de nomenclatura genérica “Diversos” sem a devida comprovação de existência ou qualidade.

Diante do exposto, a AudBancos encaminhou cópia integral da instrução ao Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) e ao Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) para que promovam as apurações necessárias sobre eventuais irregularidades e danos ao erário distrital.

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