Americanas solicita encerramento da recuperação judicial e vende Uni.Co por R$ 152,9 milhões
A Americanas protocolou um pedido na Justiça do Rio de Janeiro para encerrar seu processo de recuperação judicial. A solicitação ocorre após a empresa ter cumprido as obrigações estabelecidas no plano de recuperação, que foi aprovado pelos credores dentro do prazo legal.
Este movimento representa um marco significativo, pois o encerramento do processo judicial marcará o fim de um dos capítulos mais turbulentos da história da companhia, desencadeado por um esquema de fraude que revelou um rombo bilionário.
A notícia chega em meio a outras movimentações importantes para a empresa, como a venda da Uni.Co, detentora das populares marcas Imaginarium e Puket, que foi adquirida pela BandUP! por R$ 152,9 milhões. Conforme divulgado pela empresa, a decisão de pedir o fim da recuperação judicial depende agora da aprovação da Justiça.
Fim de um ciclo turbulento para a Americanas
O pedido de encerramento da recuperação judicial abrange todas as empresas do grupo que também estavam sob este regime. A ação foi formalizada na 4ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro. A aprovação deste pedido significará o fim de uma árdua jornada para a varejista, que enfrentou uma crise sem precedentes em 2023.
A crise foi deflagrada pela descoberta de um rombo contábil bilionário, inicialmente estimado em R$ 20 bilhões, mas que posteriormente atingiu mais de R$ 50 bilhões em endividamento total. Desse montante, cerca de R$ 42 bilhões foram incluídos no processo de recuperação judicial.
Venda da Uni.Co impulsiona reestruturação
Em um fato relevante divulgado nesta quarta-feira (25), a Americanas informou a venda da Uni.Co, empresa que engloba as marcas Imaginarium e Puket, para a BandUP!. O valor da transação foi de R$ 152,9 milhões. A BandUP! foi declarada vencedora do processo competitivo judicial para a aquisição.
A venda da Uni.Co faz parte da estratégia da Americanas de se desfazer de ativos não essenciais, visando fortalecer sua posição financeira e focar em suas operações principais. Essa negociação é mais um passo importante na reestruturação da empresa após o escândalo contábil.
O início da crise e o plano de recuperação
O escândalo veio à tona em 11 de janeiro de 2023, quando a Americanas comunicou a identificação de “inconsistências em lançamentos contábeis”. Na época, Sergio Rial, CEO que estava há apenas nove dias no cargo, deixou a companhia, sucedendo Miguel Gutierrez. A notícia causou pânico no mercado, levando à queda de quase 80% das ações da empresa em um único dia.
Em 19 de janeiro de 2023, a Americanas deu entrada no pedido de recuperação judicial. O plano inicial foi apresentado em março e, após diversas negociações, foi aprovado em 19 de dezembro. O plano previu um aporte de R$ 12 bilhões dos acionistas de referência, incluindo Jorge Paulo Lemann, Carlos Alberto Sicupira e Marcel Herrmann Telles, além de medidas para reestruturar a dívida de R$ 42 bilhões.
Próximos passos e o futuro da Americanas
Agora, com o pedido de encerramento da recuperação judicial, a Americanas aguarda a decisão da Justiça. Se aprovado, o fim do processo permitirá que a empresa se concentre em suas operações futuras e na recuperação de sua imagem perante consumidores e investidores. A venda de ativos como a Uni.Co demonstra a determinação da companhia em superar a crise.