A eleição da deputada Erika Hilton para presidir a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher na Câmara dos Deputados gerou forte repercussão e divisão de opiniões entre os eleitores brasileiros. Uma pesquisa recente aponta um expressivo percentual de discordância em relação à sua nomeação, evidenciando um debate acirrado sobre a representatividade e a condução do colegiado.
A pesquisa, realizada pelo PoderData, empresa do grupo Poder360 Jornalismo, consultou 2.500 eleitores em todo o país entre os dias 21 e 23 de março de 2026. Os resultados indicam que apenas 12% dos entrevistados concordaram com a escolha de Erika Hilton, que é uma pessoa trans, para o cargo. Outros 14% preferiram não opinar, enquanto a vasta maioria, 74%, expressou discordância com a sua eleição.
A escolha de Hilton, que se tornou a primeira congressista trans a liderar a Comissão da Mulher, ocorreu após uma votação apertada que exigiu dois turnos para a obtenção da maioria absoluta. A deputada foi eleita com 11 votos favoráveis e 10 votos em branco, um resultado que já sinalizava a polarização em torno de sua candidatura.
Apesar da controvérsia, Erika Hilton celebrou sua posse como um avanço. Em declarações públicas, a deputada afirmou que o momento representa “mais um passo na reparação” de sua história pessoal e que não se preocupa com as opiniões negativas. Ela declarou que a opinião de “transfóbicos e imbecis” é a última coisa que lhe importa, palavras que intensificaram as críticas.
Críticas e Reações nas Redes Sociais
As declarações da deputada após assumir a presidência da comissão não apenas geraram críticas da oposição, mas também mobilizaram campanhas e abaixo-assinados nas redes sociais. A polarização em torno de sua figura e de suas falas se tornou um dos temas mais comentados no ambiente político digital.
Um dos episódios de maior destaque foi o comentário do apresentador Ratinho sobre a presidência de Erika Hilton. As falas, consideradas transfóbicas pela deputada, levaram Hilton a acionar o Ministério Público Federal (MPF). Este movimento, por sua vez, motivou o partido Novo a apresentar uma representação contra a parlamentar no Conselho de Ética da Câmara.
Argumentos do Partido Novo e o Papel do MPF
O partido Novo argumentou que a deputada Erika Hilton teria se utilizado de instrumentos jurídicos e de sua posição parlamentar para retaliar as críticas feitas pelo apresentador Ratinho durante seu programa no SBT. A ação levanta questões sobre o uso da prerrogativa parlamentar e a liberdade de expressão.
O caso, que envolve o MPF e o Conselho de Ética, sublinha a complexidade do debate público e a sensibilidade dos temas relacionados à identidade de gênero e direitos humanos. A pesquisa do PoderData, com sua margem de erro de 2 pontos percentuais e intervalo de confiança de 95%, fornece um panorama quantitativo sobre a percepção pública em relação à eleição de Erika Hilton para a Comissão da Mulher.
O PoderData e a Metodologia da Pesquisa
A pesquisa foi conduzida com recursos próprios do PoderData, utilizando ligações para celulares e telefones fixos para alcançar os 2.500 entrevistados em 132 municípios, abrangendo as 27 unidades da Federação. A coleta de dados entre os dias 21 e 23 de março de 2026 permitiu obter um retrato da opinião pública naquele período específico.
O resultado de 74% de discordância é um indicativo forte da divisão de opiniões sobre a liderança de Erika Hilton na Comissão da Mulher. A repercussão das declarações da deputada e as ações movidas por diferentes setores da sociedade demonstram o intenso debate que a sua presidência tem provocado no cenário político e midiático brasileiro.