Oposição explora elos baianos do Banco Master para minar Lula em 2026
Investigações da Polícia Federal e da CPMI do INSS sugerem que o escândalo do Banco Master pode ter suas raízes nos governos petistas da Bahia. A oposição busca usar essa conexão para enfraquecer a imagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na corrida eleitoral.
A análise de documentos, incluindo quebras de sigilo de Daniel Vorcaro, controlador do banco liquidado, aponta para a expansão inicial da instituição através da plataforma CredCesta. Este produto, nascido no âmbito estadual baiano, ganhou força com a influência de aliados próximos ao presidente, gerando suspeitas.
O deputado Carlos Jordy (PL-RJ) considera urgente a instalação de uma CPI para investigar o caso, alegando ramificações empresariais, políticas e familiares ligadas a figuras do governo. A oposição sustenta que os indícios justificam uma investigação parlamentar mais aprofundada sobre a origem e o crescimento do Banco Master, conforme informações divulgadas pelo portal Metrópoles.
BK Financeira e a Neta de Jaques Wagner no Centro da Controvérsia
Um dos episódios recentes destacados pela oposição envolve a empresa BK Financeira, sediada em Salvador e criada em 2021. Uma das sócias da BK Financeira é nora do senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado. A empresa foi contratada pelo Banco Master para prospectar operações de crédito consignado e indicar convênios, recebendo R$ 11 milhões por esses serviços.
Em nota, a assessoria de Jaques Wagner declarou que o senador “jamais participou de qualquer intermediação ou negociação em favor da empresa citada” e expressou confiança na “autonomia da Justiça”. A BK Financeira, cujo nome fantasia é BN Financeira Ltda, foi criada com capital social de R$ 45 mil e sede em Salvador.
Um dos sócios da BK Financeira, o advogado Moisés Dantas dos Santos, confirmou ao Metrópoles ser sócio da nora do senador desde 2022 e a existência do contrato. Ele assegurou que “todos os valores recebidos foram formalizados por meio de nota fiscal e balanços e extratos estão à disposição das autoridades”.
CredCesta: Da Bahia Para o Centro de um Escândalo Financeiro
O empresário baiano Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, é apontado por investigadores como peça-chave na estruturação e expansão do sistema de crédito consignado associado ao Banco Master, especialmente através do produto CredCesta. O CredCesta foi criado em 2007 pelo governo da Bahia como um cartão de benefícios para servidores públicos estaduais.
Inicialmente, o CredCesta era restrito à rede de supermercados estatal Cesta do Povo. Contudo, após a privatização da Ebal em 2018, sob o governo de Rui Costa (PT), o CredCesta foi transferido para a iniciativa privada e passou a operar com instituições financeiras como o Banco Master, transformando-se em um cartão de crédito consignado com bandeira internacional.
A liquidação extrajudicial do Banco Master e do Banco Pleno, entre 2025 e 2026, expôs o programa ao escândalo financeiro, devido ao envolvimento de personagens comuns. O crescimento do negócio foi impulsionado por decisões administrativas no governo baiano, como um decreto de Rui Costa em 2022 que restringiu a portabilidade dos consignados, ampliando a exclusividade do Master.
Governo Lula Contra-Ataca e Culpa Gestão Anterior
Enquanto a oposição associa o escândalo ao PT baiano, o Palácio do Planalto defende a regularidade das operações e a necessidade de investigar todos os envolvidos. O governo alega que as irregularidades no Master deveriam ter sido detectadas pelo Banco Central na gestão anterior.
Em discursos recentes, Lula rejeitou qualquer ligação com os esquemas e afirmou que o “ovo da serpente” do Master foi posto durante a gestão federal passada, com indicação de Bolsonaro para o Banco Central. Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição no Senado, defende a investigação parlamentar da rede criminosa envolvendo empresários, políticos e intermediários financeiros.
A instalação da CPI do Master é vista como um ponto crucial de conflito político em Brasília, com potencial para influenciar diretamente a eleição presidencial de 2026. A decisão sobre a investigação caberá aos presidentes da Câmara e do Senado, Arthur Lira e Davi Alcolumbre.