Cinco homens são acusados de executar policial em Niterói e usar placa clonada de carro paulista
Cinco homens foram presos sob a acusação de participarem da execução do policial civil Carlos José Queirós Viana, em outubro do ano passado, em Niterói, Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Além disso, os suspeitos respondem por terem utilizado uma placa clonada de um veículo registrado em São José dos Campos, interior de São Paulo, para realizar a vigilância da vítima.
As investigações, conduzidas pela Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí (DHNSGI), revelaram que os criminosos encontraram um anúncio de venda de um Chevrolet Onix branco, ano 2015, em um grupo de classificados no Facebook, e obtiveram um veículo idêntico para clonar a placa.
Essa placa clonada foi usada no carro que seguiu os passos do policial Carlos José Queirós Viana, que morava em Piratininga, Niterói, quando foi assassinado. As investigações apontam que o veículo com a placa clonada foi monitorado desde Niterói até Duque de Caxias, onde os suspeitos foram detidos. Conforme informação divulgada pelo g1, as defesas de todos os acusados negam as acusações.
Ligação com outros crimes e o submundo do jogo do bicho
As investigações da Polícia Civil e do Ministério Público apontam que duas pistolas apreendidas com os primeiros três presos foram utilizadas em outros dois homicídios. Um deles foi o de Cristiano de Souza, dono de uma tabacaria no Recreio dos Bandeirantes, Zona Sudoeste do Rio, em 2023, crime com ligação à máfia dos cigarros ilegais. O outro foi o assassinato de Antônio Gaspazianni Chaves, proprietário de um bar em Vila Isabel, Zona Norte, em 2024, relacionado a problemas da vítima com o jogo do bicho.
A clonagem e a prisão em flagrante
A clonagem da placa foi confirmada após o sistema de monitoramento da Polícia Rodoviária Federal filmar o veículo com a placa original circulando em São José dos Campos, enquanto o clone era usado para a execução do policial civil. Quando os criminosos incendiaram o Onix branco e tentavam fugir em um Jeep Compass, os policiais militares Fábio de Oliveira Ramos e Felipe Ramos Noronha, além de Mayck Júnior Pfister Pedro, foram presos em flagrante.
No Jeep Compass, os policiais encontraram uma bolsa com placas clonadas e um pedregulho, que seria utilizado para afundar a bolsa e dificultar a investigação. A análise das placas permitiu identificar o quarto suspeito, Dênis da Silva Costa, por meio de digitais encontradas nas placas apreendidas.
O chefe do grupo e a possível motivação
O último preso, José Gomes da Rocha Neto, é apontado como o chefe do grupo responsável por monitorar e executar o policial civil. Carlos, a vítima, era monitorado há mais de um mês. José Gomes da Rocha Neto, conhecido como Kiko, teria participado do planejamento do homicídio e recebia informações sobre o monitoramento da vítima e os detalhes da execução. Ligações entre Kiko e o PM Fábio de Oliveira Ramos no dia da execução e nos meses anteriores reforçam a suspeita.
Kiko é investigado por suspeita de ser um dos seguranças do bicheiro Adilsinho. A defesa de José Gomes da Rocha Neto alega que as ligações eram de cunho pessoal e sem relação com o crime, e que não há elementos que conectem seu cliente aos crimes de homicídio e clonagem de placa. As defesas de Dênis da Silva Costa, Mayck Junior, Fábio de Oliveira Ramos e Felipe Ramos Noronha também pedem a absolvição ou negam as acusações, alegando fragilidade das provas e informações genéricas.
Vídeos e rastreamento detalham a ação criminosa
Gravações de segurança mostram uma moto e o carro branco saindo de uma rua em Duque de Caxias, passando pelo pedágio da Ponte Rio-Niterói sem pagar e seguindo para Piratininga, onde ocorreu a execução. A moto acompanhou o carro no trajeto de volta. Outra imagem flagra o motociclista passando por um pedágio em Magé sem pagar. Posteriormente, o veículo usado na execução foi encontrado incendiado em uma estrada de terra em Xerém.