O artesão Irineu, de Salgueiro (PE), revela os detalhes do icônico ‘bonéu’ que acompanha João Gomes em sua ascensão meteórica no piseiro.
No coração do Sertão de Pernambuco, em Salgueiro, reside o mestre Irineu, o artesão por trás de um acessório que transcendeu o palco e se tornou um verdadeiro ícone cultural: o ‘bonéu’ de João Gomes. Este chapéu, com sua identidade única, não apenas acompanha o cantor em todos os seus passos, mas também simboliza a força e o alcance do piseiro pelo Brasil.
A história por trás do bonéu de João Gomes é uma narrativa de afeto, memória e tradição. O acessório é uma homenagem ao avô do cantor, Nato Gomes, um vaqueiro lendário no sertão, cujas histórias inspiraram a criação desta peça singular. O Globo Repórter mergulhou nesse universo para trazer os detalhes dessa conexão especial.
O Globo Repórter viajou até o ateliê de Irineu, um espaço repleto de ferramentas, moldes e chapéus em diversas cores, onde a magia acontece. Foi ali que nasceu o bonéu, um presente que se tornou inseparável do artista. A mãe de João Gomes, Kátia, foi quem idealizou a homenagem, buscando algo com significado para presentear o filho. Conforme divulgado pelo Globo Repórter, o artesão Irineu lembra com carinho do primeiro modelo, em tom vinho, e da alegria de João ao recebê-lo, a ponto de dormir com o bonéu na cabeça.
A Origem e o Significado do “Bonéu”
O acessório, que o próprio Irineu insiste em chamar de “bonéu”, é descrito por ele como “um chapéu com a aba direta, só na frente”. Essa distinção, segundo o artesão, faz dele “filho do chapéu”. O termo “bonéu” ganhou força junto com a popularidade do item, reforçando a **identidade nordestina e artesanal** em um cenário muitas vezes dominado por tendências de grandes grifes. Para João Gomes, usar o bonéu é mais do que moda, é um **posicionamento cultural**.
O Sucesso Inesperado e a Gratidão do Artesão
O sucesso estrondoso do bonéu trouxe um aumento significativo na demanda de trabalho para Irineu. Em tom de brincadeira, ele comenta: “Eu vou até reclamar com João. Ele me fez dobrar meu trabalho.” No entanto, a gratidão é evidente: “Sou **muito grato a João**, muito grato mesmo.” A trajetória de Irineu é marcada pela superação, vindo de origens humildes, onde seus avós e pai tiveram pouca ou nenhuma instrução formal. Ele se emociona ao ver que seus três filhos hoje possuem curso superior, um feito que ele atribui também às oportunidades que surgiram com o sucesso.
João Gomes Exalta o Talento e a Origem
João Gomes faz questão de enaltecer o talento de Irineu e a importância de valorizar o trabalho artesanal. “Eu conheço Irineu, sei da realidade dele. Sempre falo: ‘Você tem que ir pra Fashion Week, vélho. Tem que ir pra Paris'”, brinca o cantor. Para ele, vestir peças feitas no sertão é uma forma de **resistência cultural** e de valorização do talento local, contrastando com peças de grife “pebas” e com preços “avassaladores”.
Um Legado para o Sertão e para o Mundo
Ao final da visita, Irineu presenteou João Gomes com um repente, exaltando o talento do cantor e sua origem: “João Gomes, seja bem-vindo à cidade de Salgueiro. Tu tens um talento profundo, de Serrita para o mundo. Tu és o príncipe do piseiro!”. A essência dessa relação e do impacto do bonéu pode ser resumida nas palavras do artesão: “Viva o menino que leva nosso sertão para o mundo sem esquecer as origens.” O bonéu de João Gomes não é apenas um acessório, é um **símbolo de identidade, orgulho e a prova de que o talento nordestino pode conquistar o mundo**.