Sem turismo, não há dinheiro: visitantes abandonam Cuba diante da grave crise energética

A economia de Cuba, fortemente dependente do turismo, enfrenta um cenário desolador com a acentuada queda no número de visitantes. A escassez de combustível, agravada por sanções, tem levado companhias aéreas a suspenderem rotas e turistas a repensarem suas viagens à ilha.

Em seis anos, o setor turístico, um dos pilares econômicos de Cuba, sofreu uma redução alarmante de cerca de 70%. Em 2025, apenas 1,8 milhão de turistas visitaram o país, um reflexo direto das dificuldades enfrentadas.

A situação se agrava com a saída de companhias aéreas importantes, como a Air France, Air Canada e Air Transat, que suspenderam suas operações para a ilha. Conforme informações divulgadas, viajantes relatam a inclusão de escalas extras para reabastecimento de querosene nos voos restantes, tornando a viagem mais longa e custosa.

Impacto direto no bolso e na vida dos cubanos

Nas ruas da Velha Havana, um dos pontos turísticos mais emblemáticos, a escassez de visitantes é visível. Corinne e Patrick, um casal francês que retornou à ilha após dez anos, encontraram uma realidade diferente. Eles decidiram visitar Cuba para apoiar o povo cubano, consumindo em restaurantes e comprando souvenirs, em um ato de resistência à doutrina econômica imposta pelos Estados Unidos.

A viagem do casal, que deveria durar onze dias, foi afetada pela crise energética. “Muitos hotéis fecharam, então os hotéis que tínhamos escolhido não estavam funcionando”, explicou Corinne. A falta de divisas, provenientes do turismo, afeta diretamente a vida dos cubanos, como Daniela, de 20 anos, que abandonou seus estudos de medicina para trabalhar em uma loja de souvenirs.

O salário de Daniela depende das vendas diárias, que diminuem a cada dia. “É um círculo vicioso”, descreve a jovem, que vê seu futuro comprometido pela crise econômica que assola o país. A falta de turistas significa menos dinheiro circulando, impactando diretamente o sustento de famílias e o desenvolvimento da ilha.

Rússia envia petróleo em meio a sanções americanas

Enquanto o bloqueio imposto por Washington ao abastecimento de combustível continua em vigor, a Rússia comemorou a chegada de um petroleiro russo ao país, transportando 730 mil barris de petróleo bruto. O navio, Anatoly Kolodkin, seguiu para o porto de Matanzas.

O Kremlin declarou estar “satisfeito” com a entrega e considera um “dever ajudar os amigos cubanos” a combater a crise. A ação russa surge como um alívio temporário para Cuba, que busca alternativas para suprir sua demanda energética em meio às restrições impostas pelos Estados Unidos.

Reação de Trump e incertezas para o futuro

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reagiu à chegada do petroleiro russo, declarando que o envio de petróleo para Cuba não o preocupa. “Se um país quiser enviar petróleo para Cuba agora, isso não me causa nenhum problema, seja a Rússia ou não”, afirmou Trump.

Ele insistiu que a situação de Cuba é irreversível, independentemente das cargas de petróleo recebidas. “Cuba está acabada, recebam eles uma carga de petróleo ou não, isso não fará nenhuma diferença”, concluiu. A declaração de Trump reforça a postura de Washington em manter as sanções, enquanto a Rússia demonstra apoio a seu aliado caribenho.

Turismo em queda livre: um retrato da crise cubana

A queda drástica no turismo em Cuba é um sintoma claro da profunda crise econômica e energética que o país atravessa. A falta de divisas afeta todos os setores, desde a hotelaria até o comércio local, impactando diretamente a vida dos cidadãos.

A esperança de uma recuperação turística esbarra nas dificuldades de acesso a combustíveis e nas sanções internacionais. A chegada de petróleo russo pode aliviar a situação energética, mas não resolve os problemas estruturais que afugentam os visitantes e prejudicam a economia cubana.

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