Flávio Bolsonaro amplia palanques estaduais e mira 24 estados para 2026, superando o número do pai em 2022
O senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), está intensificando suas articulações para as eleições de 2026, buscando expandir significativamente seus palanques estaduais. Longe de se posicionar como um outsider, ele tem fortalecido seu trânsito com políticos do Centrão e além da direita tradicional, aglutinando intenções de voto no campo conservador.
Essa movimentação estratégica se apoia na força do PL, um dos maiores partidos do país, que conta com um considerável caixa do Fundo Eleitoral para financiar campanhas. A meta ambiciosa visa consolidar a presença do senador em diversos estados, garantindo maior capilaridade e apoio para sua futura candidatura presidencial.
Para fins de comparação, em 2022, quando o ex-presidente Jair Bolsonaro concorreu à reeleição, o PL dispôs de apenas quatro palanques estaduais próprios. Agora, a projeção é de que o partido tenha pelo menos 12 candidaturas majoritárias, abrindo caminho para um número expressivo de apoios a Flávio Bolsonaro. Conforme informações divulgadas pela Gazeta do Povo, Flávio Bolsonaro assumiu um papel central na articulação política do PL para as eleições de 2026, com foco na montagem desses palanques estaduais.
Estratégia de palanques próprios e alianças-chave
A prioridade do PL são os palanques próprios, buscando assegurar a presença de Flávio Bolsonaro em estados cruciais para a disputa presidencial. A estratégia envolve a participação ativa do ex-presidente Jair Bolsonaro, que recentemente teve o benefício de prisão domiciliar por 90 dias. Essa articulação, contudo, pode gerar tensões com alianças regionais e demonstrar a autonomia do PL frente a partidos do Centrão.
Um exemplo dessa dinâmica ocorreu no Paraná, com o anúncio da filiação do senador Sergio Moro ao PL para concorrer ao governo estadual com apoio mútuo de Flávio Bolsonaro. Essa movimentação, segundo a reportagem, teria pego o governador Ratinho Junior (PSD-PR) de surpresa, levando-o a reconsiderar sua pré-campanha presidencial para focar na reorganização de sua base eleitoral.
Alianças estratégicas visam ampliar alcance nacional
A projeção é que, somadas às candidaturas de aliados, Flávio Bolsonaro possa contar com pelo menos 24 palanques estaduais neste ano. Essa ampla rede de apoio abrange quase todo o país, com candidaturas à reeleição ou de oposição em governos estaduais. A importância dessas alianças reside na penetração e capilaridade que oferecem às campanhas nacionais em nível regional, especialmente fora dos grandes centros.
Aliados locais, que possuem conhecimento e são reconhecidos pelos eleitores, representam um diferencial importante em uma campanha que se espera acirrada e que exigirá percorrimento intensivo do território brasileiro. Em São Paulo, o maior colégio eleitoral, já está fechado um acordo de apoio mútuo com o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), que buscará a reeleição. O PL também almeja indicar o vice na chapa de Tarcísio, com o nome do deputado estadual André do Prado (PL) sendo considerado.
Definições em Minas Gerais e no Sul do país
Em Minas Gerais, o segundo maior colégio eleitoral, o cenário para a construção de um palanque para o pré-candidato do PL ainda é de indefinição, sob a liderança do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG). O pré-candidato ao governo, senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG), e o atual governador, Mateus Simões (PSD-MG), disputam o apoio do PL mineiro, que ainda não descarta lançar um nome próprio para o governo do estado.
No Sul do país, o PL planeja ter candidaturas próprias em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul, além do Paraná. O governador catarinense, Jorginho Mello (PL), buscará a reeleição, enquanto no Rio Grande do Sul, o deputado federal Luciano Zucco (PL) já manifestou sua intenção de disputar o governo do estado. Essa expansão de palanques estaduais sinaliza uma mudança na estratégia do PL, que passa a operar de forma mais próxima a um projeto partidário clássico, conforme análise do cientista político Samuel Oliveira.
Mudança de estratégia: do movimento ao partido
Segundo Samuel Oliveira, a família Bolsonaro deixa de ser vista apenas como um movimento e integra um projeto partidário mais estruturado. Enquanto Jair Bolsonaro mobilizava aliados pela força de sua popularidade e pressão da base, Flávio Bolsonaro, embora competitivo, não possui o mesmo magnetismo eleitoral que forçava adesões automáticas. Essa transição confere maior protagonismo a Valdemar Costa Neto, presidente nacional do PL.
A estratégia de lançar mais candidaturas próprias aos governos estaduais indica que o PL foca em ampliar sua bancada, especialmente no Senado e na Câmara. A lógica passa a ser institucional, visando fortalecer a presença territorial, aumentar o número de governadores e consolidar o PL como a principal legenda da direita. No entanto, essa abordagem pode ter um efeito colateral, pois o crescimento de Bolsonaro se deu como um fenômeno “antissistema”.
A percepção de uma “engenharia partidária” pode gerar cautela em setores do eleitorado mais ao centro e até mesmo na própria direita. A priorização de candidaturas próprias também tende a tensionar aliados tradicionais como PSD, PP e União Brasil. Com Jair Bolsonaro, muitos partidos aceitavam papéis secundários devido à sua capacidade de concentração de votos e agenda. Com Flávio, a dinâmica muda, levando os partidos a buscarem espaço, palanques e protagonismo próprios.