Eduardo Bolsonaro levanta suspeitas sobre a prisão domiciliar de Jair Bolsonaro e causa alvoroço nas redes sociais
Em um vídeo divulgado em suas redes sociais, Eduardo Bolsonaro, filho 03 do ex-presidente Jair Bolsonaro, declarou que a concessão da prisão domiciliar ao pai se deve ao **”medo”** dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) de que ele **”morresse na cadeia”**. A declaração surge em um momento de crescente escrutínio sobre o cumprimento das medidas cautelares impostas a Jair Bolsonaro.
As falas de Eduardo vêm à tona enquanto o próprio STF, sob a relatoria do ministro Alexandre de Moraes, analisa uma gravação em que o filho se dirige ao pai, levantando a possibilidade de **violação das restrições impostas**. A repercussão foi imediata, com críticas de diversos setores, inclusive dentro do espectro político da direita.
Apesar de a madrasta de Eduardo, Michelle Bolsonaro, ter desmentido a hipótese de que o vídeo pudesse configurar descumprimento, as declarações do filho 03 continuam a gerar debate e a alimentar as investigações em curso. A informação foi divulgada inicialmente pelo portal G1.
Críticas à direita e a justificativa para a prisão domiciliar
Eduardo Bolsonaro criticou abertamente membros do campo político de direita que, segundo ele, estariam **”dando razão para o Moraes”** ao justificar as suspeitas levantadas pelo ministro. Ele alertou que essa postura pode levar a **”cada vez mais pressão”** por parte do STF.
“Enquanto vocês continuarem achando como normal, vão cada vez mais tomar pressão dele. Vocês não, né, meu pai. Ele só está em prisão domiciliar porque eles têm medo de que ele morra na cadeia”, afirmou Eduardo no vídeo, reforçando sua tese sobre o receio dos ministros.
Investida de Alexandre de Moraes e pedido de explicações
Alexandre de Moraes intensificou as ações nesta semana ao solicitar manifestação da Procuradoria-Geral da República sobre o vídeo de Eduardo. Além disso, o ministro pediu esclarecimentos à defesa de Jair Bolsonaro acerca das pessoas que teriam acesso à residência onde ele cumpre pena de 27 anos, localizada no Jardim Botânico, em Brasília.
Em seu despacho, Moraes detalhou as regras da prisão domiciliar humanitária temporária de Jair Messias Bolsonaro, enfatizando a **”proibição de uso de celular, telefone ou qualquer outro meio de comunicação externa, diretamente ou por intermédio de terceiros”**. Ele também determinou que, nas visitas autorizadas, celulares e outros aparelhos eletrônicos deverão ser depositados com os agentes policiais.
Defesa de Bolsonaro alega “sem fato objetivo” para violação de medidas
Os advogados de defesa de Jair Bolsonaro já se manifestaram, declarando que **”não há qualquer fato objetivo”** que aponte para uma violação das medidas cautelares a partir do vídeo de Eduardo. Ao conceder a prisão domiciliar, Alexandre de Moraes impôs restrições severas, incluindo a proibição de gravações de vídeos ou áudios, diretamente ou por intermédio de terceiros.
No despacho que solicitou os esclarecimentos, Moraes anexou a captura de tela de um internauta que sugeria que o vídeo de Eduardo, gravado em um evento de extrema-direita nos Estados Unidos, deveria chegar ao ministro. O argumento era que a transmissão ao vivo para Bolsonaro, que está em prisão domiciliar sem acesso a redes sociais, poderia ser considerada um **”descumprimento das medidas judiciais”**.