PF busca “mandante” de vazamento de dados de ministros do STF e revela detalhes da Operação Exfil
A Polícia Federal (PF) deflagrou uma operação nesta quarta-feira (1º) com o objetivo de capturar o empresário carioca suspeito de ser o “mandante” do esquema de vazamento de dados fiscais de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e de seus familiares. A ação, autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, relator da investigação, cumpriu seis mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro e em São Paulo.
As investigações, que também miram servidores da Receita Federal, indicam que o empresário teria atuado ativamente na obtenção das informações sigilosas. Depoimentos colhidos pela PF sugerem que ele teria fornecido listas de CPFs e efetuado pagamentos em espécie, totalizando R$ 4.500,00, para receber as declarações fiscais obtidas de forma ilícita, conforme divulgou o STF.
O empresário é alvo de um mandado de prisão preventiva e encontra-se foragido. A PF busca, com a operação, reconstruir as cadeias de eventos e identificar outros possíveis envolvidos no esquema. A Procuradoria-Geral da República (PGR) manifestou-se favoravelmente à operação, reforçando a necessidade de aprofundar as apurações.
Operação Exfil: Desdobramentos e Tensão com a Receita
A Operação Exfil teve início em 17 de fevereiro, marcada por uma nota atípica do STF que expôs os nomes de servidores da Receita Federal investigados. Estes servidores já foram afastados de suas funções, tiveram bens apreendidos e foram submetidos a medidas como uso de tornozeleira eletrônica e recolhimento domiciliar em horários específicos.
O caso gerou tensão entre a Receita Federal e o STF. Kleber Cabral, presidente da Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (Unafisco), chegou a criticar a operação em entrevistas, sugerindo que seria mais seguro investigar facções criminosas do que ministros. Em resposta, Alexandre de Moraes determinou que Cabral prestasse depoimento.
TCU e Inquérito das Fake News: Controvérsias e Duração das Investigações
O Tribunal de Contas da União (TCU) também está envolvido na apuração dos vazamentos. O Ministério Público encaminhou uma representação ao TCU para que eventuais excessos nos inquéritos conduzidos pelo Supremo sejam devidamente apurados. O inquérito das fake news, que engloba a investigação sobre os servidores da Receita, já se estende por mais de sete anos e tem sido alvo de críticas, inclusive da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
Dados obtidos pela Gazeta do Povo, por meio da Lei de Acesso à Informação, revelam que entre 2025 e o início de 2026, os sistemas de segurança da Receita foram acionados 2.599 vezes, alertando para acessos indevidos a dados de pessoas politicamente expostas por parte de servidores. Esses números evidenciam a fragilidade dos sistemas e a persistência das tentativas de acesso não autorizado.
Quebra de Sigilo e Busca por Provas Digitais
Na decisão que autorizou a operação, o ministro Alexandre de Moraes também determinou a quebra do sigilo telemático dos aparelhos apreendidos. O objetivo é extrair dados que possam confirmar a negociação de valores e a eventual reiteração da conduta criminosa. Essa medida visa fortalecer as provas contra os envolvidos no vazamento de dados fiscais.
A investigação da PF busca não apenas identificar o “mandante” e os executores diretos do vazamento de dados, mas também compreender a extensão do esquema e os reais interesses por trás da obtenção ilícita de informações sigilosas de altas autoridades da República. O desfecho da Operação Exfil promete trazer mais clareza sobre a segurança de dados sensíveis no país.