Jorge Messias busca apoio no Senado para assumir vaga no STF com discurso de fé e conciliação

O Advogado-geral da União, Jorge Messias, deu um passo formal em sua jornada para integrar o Supremo Tribunal Federal (STF) ao enviar uma carta ao Senado Federal nesta quarta-feira (1º). Indicado pelo presidente Lula, Messias buscou desde o início **vencer resistências na Casa legislativa**, destacando seus valores pessoais e seu compromisso com a harmonia entre os Poderes da República.

Na missiva enviada aos senadores, Jorge Messias fez questão de ressaltar sua profunda conexão com seus valores cristãos. Ele afirmou que sua atuação como ministro do STF seria guiada por princípios como a **fé, a família, o trabalho e a ética no serviço público**. Essa abordagem, segundo apurou a Gazeta do Povo, é um aceno estratégico à bancada religiosa no Congresso Nacional, dada a sua origem evangélica e seu pertencimento à Igreja Batista.

O indicado também abordou a complexa relação entre o Judiciário e o Legislativo, um ponto crucial para sua aprovação. Messias defendeu **o respeito absoluto à separação dos Poderes** e demonstrou ter plena consciência da necessidade de manter um distanciamento institucional característico do cargo. Para fundamentar seu perfil conciliador, ele citou sua atuação na Advocacia-Geral da União (AGU) na resolução de conflitos relacionados a emendas parlamentares e à desoneração da folha de pagamento, como prova de sua capacidade de mediar divergências.

Apoios e Silêncios no Supremo

A indicação de Jorge Messias já conta com um apoio público notório: o do ministro André Mendonça. Mendonça, que também possui um perfil evangélico e já comandou a AGU, demonstrou suporte à nomeação. Em contrapartida, o ministro Flávio Dino, que em outras ocasiões foi um concorrente direto de Messias em disputas por indicações, optou por um posicionamento de silêncio, considerando o tema politicamente sensível no momento atual.

O Rito de Aprovação no Senado

O caminho de Jorge Messias no Senado Federal seguirá um rito tradicional. Sua indicação será encaminhada à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), atualmente sob a presidência do senador Otto Alencar. Após a leitura do relatório e o período para análise e eventuais contestações, Messias enfrentará uma **sabatina** com os membros da comissão. Caso seja aprovado na CCJ, o nome precisará obter o aval de, no mínimo, **41 votos no plenário do Senado** para ser efetivado.

Obstáculos Políticos e o Papel de Alcolumbre

Embora Jorge Messias tenha buscado um processo de aprovação mais tranquilo do que alguns de seus antecessores, o caminho não está isento de desafios. A definição do cronograma para a sabatina e votação depende diretamente do presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Adicionalmente, a escolha do relator, que deve ser o senador Weverton Rocha, adiciona uma camada extra de complexidade política, visto que Rocha foi recentemente alvo de operações policiais, o que pode influenciar o debate e a votação.

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