Controvérsia em Precatórios do Banco Master: Auditorias do BC Sinalizam Conformidade, Órgãos de Controle Alertam

O Banco Central (BC) conduziu duas auditorias em 2024 sobre R$ 13 bilhões em precatórios sob gestão do Banco Master. A auditoria, realizada pela KPMG, apontou que os números apresentados pela instituição financeira eram aceitáveis. No entanto, essa conclusão diverge das avaliações de órgãos de controle como o Tribunal de Contas da União (TCU) e a Controladoria-Geral da União (CGU).

Esses órgãos apontaram a existência de ativos supervalorizados ou até mesmo inexistentes nos balanços do Banco Master. A falta de transparência nesse processo pode deixar investidores em uma posição de risco, com perdas que ultrapassam a garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) de R$ 250 mil por CPF. Tais incertezas também podem elevar os custos de crédito para todo o sistema financeiro.

O Banco Master atuava captando recursos de investidores em plataformas de varejo, oferecendo a garantia do FGC. Posteriormente, o capital era alocado em ativos de baixa liquidez, como precatórios (dívidas judiciais) e empréstimos de longo prazo. Essa estratégia de captação de curto prazo com ativos ilíquidos gerou alertas no mercado financeiro. As informações são da Folha de S. Paulo.

O Papel do Banco Central e as Auditorias Realizadas

A atuação do Banco Central se deu de forma escalonada. Em março e abril de 2026, o TCU divulgou um relatório crítico sobre a situação. Simultaneamente, a CGU abriu um processo contra ex-dirigentes do BC, sob suspeita de favorecimento. Essas ações demonstram a complexidade e as diferentes perspectivas sobre a gestão dos precatórios.

A auditoria da KPMG considerou a valoração dos ativos como “aceitável” e os riscos jurídicos como “favoráveis”. Contudo, o escopo do trabalho da KPMG limitou-se à expectativa de recebimento judicial, e a empresa informou ter deixado de auditar o Banco Master a partir de 2025. Por motivos de sigilo profissional, a KPMG declarou-se impedida de comentar casos envolvendo ex-clientes.

Divergências entre Auditores e Órgãos de Controle

O escritório Galdino Advogados, que também realizou análise, não reportou irregularidades. Segundo a banca, o trabalho se concentrou nos riscos jurídicos, andamentos processuais e tempo estimado de recebimento dos precatórios, excluindo a avaliação de aspectos econômicos ou financeiros. O escritório não comentou sobre os valores recebidos pelos serviços prestados.

Em contraste, o TCU e a CGU identificaram ativos supervalorizados ou inexistentes. Estes órgãos alertam para a falta de registro público, o que cria um “risco jurídico severo”. Além disso, as investigações apontam para o uso de “engenharia financeira” para ocultar a falta de liquidez dos ativos. O relatório AudBancos do TCU afirma categoricamente que “O Master postergava o reconhecimento da iliquidez por engenharias financeiras de repasse”.

Riscos para Investidores e o Sistema Financeiro

A falta de clareza nas auditorias e a divergência entre as avaliações geram insegurança para os investidores. O risco imediato é de perdas que podem ultrapassar o limite de R$ 250 mil por CPF, garantido pelo FGC. Essa situação também pode levar a um aumento nos custos de crédito para todo o sistema financeiro.

O descompasso estrutural entre a captação de recursos de curto prazo e a alocação em ativos de baixa liquidez, como os precatórios reportados em R$ 8,7 bilhões em 31 de dezembro de 2024, é um ponto central de preocupação levantado pelo mercado e pelos órgãos de controle.

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