Governo Lula Amplia Investimento em Big Techs e Redes Sociais para Propaganda Oficial
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) intensificou significativamente seus investimentos em publicidade nas plataformas digitais. Em 2025, o montante destinado a gigantes como Google e Meta (controladora do Facebook, Instagram e WhatsApp) ultrapassou o valor direcionado a emissoras de televisão tradicionais, como SBT e Band.
Essa mudança estratégica reflete a crescente importância do ambiente online na comunicação governamental. A Secretaria de Comunicação Social (Secom) justifica a medida como uma forma de expandir o alcance dos serviços públicos e de se conectar com o tempo cada vez maior que os brasileiros dedicam à navegação na internet.
O levantamento, divulgado pelo jornal Folha de S. Paulo, aponta que essa estratégia visa não apenas informar sobre ações do governo, mas também **promover bandeiras e programas governamentais**, como o slogan “Brasil Soberano” e o programa “Gás do Povo”, demonstrando um foco maior na comunicação institucional.
Google e Meta Lideram Recebimento de Verbas Publicitárias
De acordo com dados do Sistema de Comunicação de Governo (Sicom), em 2025, o **Google recebeu ao menos R$ 64,6 milhões**, enquanto a **Meta obteve R$ 56,9 milhões** em publicidade federal. Em comparação, o SBT registrou R$ 45,8 milhões e a Band, R$ 24,4 milhões no mesmo período. Essa inversão de prioridades é clara, com a fatia destinada à internet saltando de cerca de 20% para mais de 30% do orçamento total de campanhas.
O percentual de recursos direcionados para a comunicação digital em 2025 atingiu aproximadamente **34,5% do total**, quase o dobro do registrado no último ano do governo anterior, que foi de 17,7%. Essa aceleração nos gastos ocorreu sob o comando do ministro Sidônio Palmeira, que assumiu a Secom em janeiro de 2025.
Televisão Ainda é Principal Canal, Mas Plataformas Digitais Ganham Espaço
Apesar do crescimento expressivo das verbas para plataformas digitais, a **televisão ainda se mantém como o principal destino dos anúncios**, concentrando cerca de 45% do orçamento da Secom e dos ministérios. O **Grupo Globo lidera o ranking de beneficiados**, com repasses de aproximadamente R$ 150 milhões em 2025, seguido pela Record, com R$ 80,5 milhões.
O governo Lula também retomou investimentos em jornais impressos de grande circulação, como Folha de S. Paulo, O Globo e O Estado de S. Paulo, que haviam sido excluídos do recebimento de publicidade federal direta entre 2020 e 2022. Essa diversificação busca atingir diferentes públicos e reforçar a presença da comunicação governamental em múltiplos meios.
Orçamento Total de Propaganda Atinge Pico Histórico
O levantamento da Folha de S. Paulo destaca que o **orçamento total empenhado para propaganda atingiu R$ 1,5 bilhão no último ano**, configurando o maior valor desde 2017. Desse montante, R$ 924 milhões foram destinados à comunicação institucional, superando os R$ 613 milhões para utilidade pública, como campanhas de vacinação.
A nova estratégia de mídia do governo Lula também inclui apostas em plataformas de streaming e vídeos curtos, como Kwai, e em serviços como Netflix e Prime Video. Por outro lado, a verba destinada ao X (antigo Twitter) foi eliminada dos planos, após as críticas de Elon Musk, dono da plataforma, contra o Supremo Tribunal Federal (STF) e o presidente Lula.
Lula Defende Regulação e Autonomia do Brasil
Em meio a debates sobre a regulação de plataformas digitais, o presidente Lula afirmou que as redes sociais que não desejarem cumprir a legislação brasileira poderão deixar o país. A declaração ocorreu após críticas internacionais sobre decisões do STF contra as plataformas.
“Esse país é soberano, tem uma Constituição, uma legislação. Ora, é da nossa obrigação regular o que quisermos regular, de acordo com os interesses e a cultura do povo brasileiro”, declarou Lula em entrevista à agência Reuters. Ele reforçou que, assim como empresas brasileiras precisam seguir a legislação americana nos EUA, as plataformas estrangeiras devem respeitar as leis do Brasil.