Embaixadora da Noruega na Jordânia e Iraque, Mona Juul, é afastada do cargo devido a ligações com Jeffrey Epstein.
A diplomata Mona Juul, que representava a Noruega na Jordânia e no Iraque, foi afastada de suas funções após o governo norueguês iniciar uma investigação sobre seus vínculos com o financista americano Jeffrey Epstein, figura central em escândalos de tráfico sexual e que faleceu em 2019.
A confirmação veio neste domingo (8) pelo Ministério das Relações Exteriores da Noruega, que informou que a decisão foi tomada após a divulgação de novos documentos relacionados ao caso Epstein. Esses documentos apontaram contatos entre Juul e o financista, o que levou o ministro das Relações Exteriores, Espen Barth Eide, a declarar que a diplomata demonstrou uma “grave falha de julgamento”.
Segundo o ministério, essa falha de julgamento “tornou difícil” a manutenção da confiança necessária para o exercício do cargo de embaixadora. Mona Juul já havia sido suspensa temporariamente na semana anterior, enquanto as autoridades avaliavam a extensão de sua relação com Epstein durante seu período no serviço diplomático norueguês. Conforme informado pelo Ministério das Relações Exteriores da Noruega, a investigação interna busca “esclarecer” qualquer impacto que esse vínculo possa ter tido em suas funções oficiais.
Investigação criminal e suspeitas de corrupção contra a embaixadora e seu marido
A situação se agravou nesta segunda-feira (9) com a informação de que a Unidade de Crimes Econômicos do Ministério Público da Noruega (Okokrim) também abriu uma investigação. A investigação é contra Mona Juul por suspeita de corrupção e também contra seu marido, o diplomata Terje Rød-Larsen, por possível colaboração no suposto crime.
A Okokrim considera as acusações contra Juul mais graves, pois os fatos em apuração podem ter ocorrido enquanto ela exercia seu cargo no Ministério das Relações Exteriores. A investigação busca determinar a extensão da participação da embaixadora em atividades ilícitas, se houver.
Testamento de Epstein revela doação milionária para filhos da embaixadora
Documentos divulgados em 30 de janeiro pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, e noticiados pela imprensa norueguesa, indicam que Jeffrey Epstein deixou cerca de US$ 10 milhões em seu testamento para os dois filhos de Mona Juul e Terje Rød-Larsen. Este detalhe levanta sérias questões sobre a natureza e a motivação dos contatos entre a diplomata e o financista.
A divulgação desses documentos e a subsequente investigação sobre a embaixadora Mona Juul aumentam a pressão sobre figuras políticas e diplomáticas da Noruega. Os arquivos Epstein já haviam mencionado outras personalidades do país, como a princesa herdeira Mette-Marit, intensificando o escrutínio público sobre suas conexões com o controverso financista.
Contexto de escândalo Epstein e seus desdobramentos na Noruega
O caso de Mona Juul se insere em um contexto mais amplo de revelações sobre os contatos de figuras públicas com Jeffrey Epstein. A liberação de documentos sigilosos pelo Departamento de Justiça dos EUA tem exposto uma rede complexa de relacionamentos que agora vêm à tona, afetando diversas esferas da sociedade, especialmente a política e a diplomacia.
A investigação sobre a embaixadora norueguesa é um dos desdobramentos mais significativos até o momento, evidenciando a importância de se apurar qualquer tipo de vínculo com indivíduos envolvidos em crimes graves. A Noruega busca agora entender a extensão do envolvimento e garantir a integridade de seu corpo diplomático.