Cuba Enfrenta Apagões Históricos: Potencial de 64% da Ilha Sem Energia

A ilha de Cuba se prepara para enfrentar apagões de energia em escala recorde nesta terça-feira, 10 de maio. A União Elétrica (UNE), estatal cubana, projeta que mais de 64% do país poderá ficar simultaneamente sem eletricidade no pico de demanda, um cenário **sem precedentes** segundo dados compilados pela Agência EFE.

Esta situação marca um agravamento significativo na já profunda crise energética que assola o país desde meados de 2024. A **crise energética em Cuba** é atribuída, em grande parte, ao chamado cerco petrolífero imposto pelos Estados Unidos, com impacto direto nas importações de combustível, especialmente da Venezuela.

O recorde anterior de apagões simultâneos havia sido registrado em 31 de janeiro, atingindo 63% da ilha, conforme os números oficiais divulgados pela UNE desde 2022. A situação atual, com projeções ainda mais alarmantes, coloca em xeque a estabilidade e o cotidiano de milhões de cubanos.

Capacidade de Geração em Queda Livre

Para o horário de maior demanda, previsto para o final da tarde e início da noite, a UNE estima uma capacidade de geração de apenas 1.134 megawatts (MW), enquanto a demanda máxima projetada é de 3.100 MW. Essa **discrepância alarmante** evidencia um déficit considerável na oferta de energia.

A situação é agravada pelo fato de que seis das dezesseis unidades de produção termelétrica operacionais estão fora de serviço, seja por avarias ou necessidade de manutenção. Entre as unidades inoperantes estão duas das três maiores, o que representa um duro golpe, considerando que as termelétricas respondem por cerca de 40% da matriz energética cubana.

Geração Distribuída Paralisada e Medidas de Emergência Severas

A chamada geração distribuída, que utiliza motores e representa outros 40% da matriz energética, também está completamente parada há quatro semanas. O líder cubano, Miguel Díaz-Canel, responsabilizou diretamente os Estados Unidos por essa paralisação, acusando Washington de impor uma “asfixia energética”.

Em resposta à crise, o regime cubano implementou um pacote de medidas de emergência extremamente rigoroso. A venda varejista de diesel foi interrompida, o racionamento de gasolina é severo, e há falta de querosene para aviação nos aeroportos. Além disso, houve reajuste nos horários de escritórios estatais, priorização do trabalho remoto e corte de serviços públicos para atender apenas ao essencial.

Impacto Econômico e Social Devastador

Os prolongados apagões diários têm um impacto devastador na economia cubana, que já registrou uma contração de mais de 15% desde 2020, segundo dados oficiais. A falta de energia afeta a produção industrial, o comércio e a vida cotidiana, intensificando o descontentamento popular.

Cálculos independentes indicam que seriam necessários entre US$ 8 bilhões e US$ 10 bilhões para sanear o sistema elétrico da ilha. O regime cubano, contudo, aponta as sanções americanas como o principal fator por trás da atual crise, intensificando a retórica de confronto com os Estados Unidos.

Protestos e Instabilidade Social

Os apagões têm sido um dos principais estopins para os protestos que têm ocorrido nos últimos anos em Cuba. A população, já sofrendo com a escassez e a crise econômica, vê na falta de energia um reflexo direto da má gestão e das pressões externas, alimentando a insatisfação e a busca por mudanças.

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